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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Cais da pimenta

Letra e música de Fernando Carmino Marques
Repertório de Fernando Marques

Lisboa, sete colinas
A pobreza pelas esquinas / Use sempre óculos de sol
Welcome, diz o letreiro
A quem vem do mundo inteiro / Branquinho como um lençol

Vejam bem esta cidade
Sem juízo nem idade / Mas de orgulho muito altivo
Já sinto que se arrepia
Quando lhe disser um dia / Que é um inferno colorido

Já foi o cais da pimenta
Tanto espirra que rebenta / Tudo treme, fica a fé
E o Tejo embevecido
Pelo que vê construído / Nunca mais se pôs de pé

Cidade onde vem parar
Gente de todo o lugar / Onde o pão não tem sal
Mas é forte o desencanto
Quando sentem com espanto / A vida da capital

Um político sorridente
Diz que sim a toda a gente / Cartaz novo na parede
Vou correndo p’ró transporte
E assim caminho p’rá morte / Mas da vida tenho sede

Não me enganas com a calma
Pois não me entra na alma / Só me apetece é gritar
Mas ao som do choradinho
Falo logo mais mansinho / E lá me deixo arrastar