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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Fado do trigo

Ary dos Santos / Victorino d’Almeida
Repertório de Carlos do Carmo

É da terra sangrenta, terra braço
Terra encharcada em raiva e em suor
Que o homem pouco a pouco, passo a passo
Tira a matéria viva do amor

Devagar, a seara ondula as ancas
Como fêmea abrasada de desejo
E aberta ao vento e ao sol, concebe as plantas
Mulher e mãe na fúria dum só beijo

Prendo os meus lábios á sede, mordido por um fio de água
O Alentejo não cede, mesmo com olhos de mágoa;
Olhos celeiros do trigo, semente no coração
Meu trigal de pão amigo, adubado no meu chão;
Além-Tejo, além-coragem, com as peredes de cal
És a alma da paisagem, brancura de Portugal

Depois de prenha, a terra fica tão linda
Crescem cabelos loiros como o fogo
Laços vemelhos na planície infinda
Papoilas vivas que se acendem logo

Pois quando a terra, flor de quem lhe quer
Não há mais dôr no parto dos trigais
Será terra feliz, terra mulher
Com filhos de quem todos somos pais