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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Não é um fado normal

Letra e musica de Amélia Muge
Repertório de Ana Moura

Olhas p’ra mim com esse ar reservado
A estoirar pelas costuras
Nem sei se estou em Lisboa
Será que é Tóquio ou Berlin?
Tu não me olhes assim!
Porque o teu olhar tem ópio
Tem quebras nos equinócios
Pitadas de gergelim

Mas se isto é fado

Ponho o gergelim de lado
Vou buscar o alecrim

E tu sempre a olhar p’ra mim;
Como se alecrim aos molhos

Atraíssem os meus olhos
Não tenho nada com isso
Alguém que quebre este enguiço
Que eu não respondo por mim


E já estou, quase a trocar o mal pelo bem e o bem pelo mal
Se isto é fado, não é um fado normal
A trocar, o mal pelo bem e o bem pelo mal
Não é um fado normal

Vou por lugares nunca dantes visitados
E há que ter alguns cuidados / Porque bússola não há

E baralham-se os sentidos / Se andamos ao Deus-dará
Sem sentinelas nos olhos / Vou confiar no ouvido

E nada vai estar perdido

Mas se isto é fado

Vou entristecer o quadro
P’ra tom de cinza acordado

Que eu não quero exagerar;
No meio do nevoeiro
Teimo em ver o teu olhar
Que sei não ser derradeiro
Alguma coisa se solta

Que talvez não tenha volta