... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções intemporalmente belas que merecem ser perpetuadas*
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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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O1/01/2026 <> 8.095 letras publicadas <> 4.625.000 VISITAS

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Já o tempo se habitua

Letra e música de José Afonso
Repertório do autor


Já o tempo se habitua a estar alerta
Não há luz que não resista à noite cega
Já a rosa perde o cheiro e a cor vermelha
Cai a flor da laranjeira à cova incerta

Água mole, água bendita, fresca serra
Lava a língua, lava a lama, lava a guerra
Já o tempo se acostuma à cova funda
Já tem cama e sepultura toda a terra

Nem o voo do milhano ao vento leste
Nem a rota da gaivota ao vento norte
Nem toda a força do pano todo o ano
Quebra a proa do mais forte, nem a morte


Já o mundo se não lembra de cantigas
Tanta areia suja, tanta erva daninha
A nenhuma porta aberta chega a lua
Cai a flor da laranjeira à cova incerta

Entre as vilas e as muralhas da moirama
Sobre a espiga e sobre a palha que derrama
Sobre as ondas sobre a praia, já o tempo
Perde a fala e perde o riso, perde o amor