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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Liberdades poéticas

Letra e musica de Sérgio Godinho
Repertório de Mísia

Perdoai-me se este fado é feito com
Liberdades poéticas
Não é tanto pela rima ou pelo som
Nem p’las frases assimétricas
É apenas que o ciúme violento que tanta vez o fado canta
Neste fado é só um lume bem mais lento, bem mais brando
Aveludando a garganta

Eu não quis pôr neste fado um novo som
Nem liberdades poéticas
Dá-me a entrada, guitarrista, dá-me o tom
Teu estilo é minha estética
Não porei na minha voz nem um lamento
Se soubessem do meu fado
Meu amor deixou-me um dia, pus a mão na lage fria
Dei-o assim por enterrado

Mas não há fado que não seja feito com
Liberdades poéticas
Sem buscar na diferença o mesmo som
E o sentir numa outra métrica
E por isso ainda que triste esta alegria
Acompanha o meu trinado
Bate as horas ao meio dia, faz-me boa companhia
P’rá noite cantar o fado

Perdoai-me se este fado é feito com
Liberdades poéticas
Não é tanto pela rima ou pelo som
Nem pelas frases assimétricas
Meu ouvido corre aberto pelas ruas
Que será do meu amado
Não me deixa esta amargura é mais leve que a loucura
E só por isso canto o fado