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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Já morreu a Mariquinhas

Lopes Víctor / Popular *fado mouraria*
Repertório de Deolinda Maria

A Mariquinhas p’ros céus
Partiu sem as tamanquinhas
Deixou a guitarra a Deus
E à Moirama as tabuinhas


Caiu chuva, fortemente / Num beco da Mouraria
Donde o sol, por ironia / Também quis estar ausente
Nos lábios de tanta gente / Crente e mesmo dos ateus
Encomendaram a Deus / A alma da pecadora
E lá foi, naquela hora
A Mariquinhas p’ros céus

Fazer milagre, quis Deus / Em trazer ao funeral
Um escol fenomenal / D’alguns nobres e plebeus
O Conde, o Roque, o Mateus / O Custódia e o Ginguinhas
Choraram a Mariquinhas / Essa figura lendária
Que à procura da Cesária
Partiu sem as tamanquinhas

E a Cigarra cantadeira / Não fará mais que gorgeios
Gorgeando os seu anseios / Num fado à sua maneira
Na Rua da Amendoeira / Andam já os fariseus
A pregar, feitos judeus / Com fingido sentimento
Que ela no testamento
Deixou a guitarra a Deus

No cofre já tão falado / Ficaram as rendas finas
Muitos laços, as cortinas / Um lençol todo bordado
E tudo foi averbado / P’ra deixar a umas velhinhas
No fado velhas rainhas / Que lá viram exarado
Eu deixo o meu xaile ao fado
E à Moirama as tabuinhas