... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções que merecem ser perpetuadas*
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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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O1/01/2026 <> 8.130 letras publicadas <> 4.625.000 VISITAS

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As balas

Manuel da Fonseca / Adriano 
Repertório de Adriano Correia de Oliveira


Dá o Outono, as uvas e o vinho
Dos olivais, azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa, o verde pinho
As balas deram sangue derramado

Dá a chuva, o inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar, a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado

Dá a Primavera, o campo colorido
Glória, coroa do mundo renovado
Aos corações, dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado

Dá o sol as searas pelo verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado

Dá cada dia o homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado

De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo onde viver
As balas deram sangue derramado

Dá a certeza o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construída é destruir
Balas deram sangue derramado

Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruina e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado