Manuel da Fonseca / Adriano
Repertório de Adriano Correia de Oliveira
Dá o Outono, as uvas e o vinho
Dos olivais, azeite nos é dado
Dá a cama e a mesa, o verde pinho
As balas deram sangue derramado
Dá a chuva, o inverno criador
Às sementes dá sulcos o arado
No lar, a lenha em chama dá calor
As balas deram sangue derramado
Dá a Primavera, o campo colorido
Glória, coroa do mundo renovado
Aos corações, dá o amor renascido
As balas deram sangue derramado
Dá o sol as searas pelo verão
O fermento no trigo amassado
No esbraseado forno cresce o pão
As balas deram sangue derramado
Dá cada dia o homem novo alento
De conquistar o bem que lhe é negado
Dá a conquista um puro sentimento
As balas deram sangue derramado
De meditar, concluir, ir e fazer
Dá sobre o mundo o homem atirado
À paz de um mundo novo onde viver
As balas deram sangue derramado
Dá a certeza o querer e o construir
O que tanto nos negou o ódio armado
Que a vida construída é destruir
Balas deram sangue derramado
Essas balas deram sangue derramado
Só roubo e fome e o sangue derramado
Só ruina e peste e o sangue derramado
Só crime e morte e o sangue derramado