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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Olá puto reguila

Rui Manuel / Vital D’Assunção
Repertório de Chico Madureira

Puto reguila do sorriso tão travesso
Que enches de vida cada rua da cidade
Lisboa é tua, e cada dia é o começo
Dessa aventura em que o tempo ganha idade

Puto reguila do cabelo em desalinho
Que roubas fruta no mercado da Ribeira
Se tu pudesses roubavas também carinho
Que repartias pela malta mais porreira

Puto reguila que és gaivota e cacilheiro
Irmão do vento, irmão da chuva, irmão do Tejo
Dão-te uma esmola a muito custo, e o dinheiro
Não mata a fome, mata apenas o desejo

Puto reguila, andorinha sem beiral
A flor da vida com se enfeita o Rossio
Tens como cama, a tua raiva e um jornal
De letras mortas que não dão calor ao frio

Puto reguila da coragem transparente
Quanta porrada tens no teu corpo franzino
Cresces depressa, tão depressa, e de repente
Mora um adulto no teu rosto de menino