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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo*
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Dor de alma

António Gedeão / Luís Pedro Fonseca
Repertório de Cristina Nóbrega

Meu pratinho de arroz doce
Polvilhado de canela
Era bom mas acabou-se
Desde que a vida me trouxe
Outros cuidados com ela

Eu, Infanta, não sabia / As mágoas que a vida tem
Ingénuamente sorria
Me aninhava e adormecia / Ao colo da minha mãe

Soube depois que há no mundo / Umas tantas criaturas
Que vivem num charco imundo
Arrancando arroz do fundo / De pestilentas planuras

Já não tenho o teu engodo / Ó mãe, nem desejo tê-lo
Prefiro o charco e o lodo
Quero o sofrimento todo / Quero senti-lo e vencê-lo