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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Memórias de um chapéu

Aldina Duarte / Armando Machado *fado cunha e silva* ou *aracélia*
Repertório de Camané

Quisera então saber toda a verdade
De um chapéu na rua encontrado
Trazendo a esse dia uma saudade
D'algum segredo antigo e apagado;
Sentado junto á porta desse enontro
Ficando sem saber a quem falar
Parado, sem saber qual era o ponto
Em que devia então eu começar

Parada na varanda, estava ela a meditar
Quem sabe se na chuva, no sol, vo vento, ou mar
E eu ali parado, perdi-me a delirar
Se aquela beleza era meu segredo a desvendar;
Porém apagou-se a incerteza
Eram traços de beleza os seus olhos a brilhar
E vendo que outro olhar, em frente havia
Só não via quem não queria da paixão ouvir falar

Um dia, entre a memória e o esquecimento
Colhi aquele chapéu envelhecido
Soltei o pó antigo entregue ao vento
Lembrando aquele sorriso prometido;
As abas tinham vincos mal traçados
Marcados pelas penas ressequidas
As curvas eram restos enfeitados
De um corte de paixões então vividas