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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Nasci na maré

Letra e música de Daniel Gouveia
Repertório de Daniel Gouveia 

Nasci na mare à beira do cais
Fui peixe e gaivota, procurando rota
Que me desse mais
Subi com a enchente, lancei o meu grito
De sonho e de esperança, ainda criança
Buscando infinito

Cresci para a vida junto ao Rio Judeu
E o desassossego da busca de emprego
Também me doeu
Nasci co’a vazante da desilusão
A vida, afinal, é bem e é mal
Está na palma da mão

Estudei coisas raras, p'ra ver mais além
Mas cavei no lodo à cata de engodo
Se quis ser alguém
Fiz barcos na Amora, moí no Seixal
E do Rosairinho olhei com carinho
Para a capital

Com sal de Alcochete, temperei minha sorte
Toquei na Arrentela, na Moita fiz vela
Sem perder o Norte
Tal é esta sina de ser português
E ter por seu fado, ver se o ordenado
Chega ao fim do mês

Grumete no Alfeite, subi um degrau
No Ginjal amei e assim carreguei
Minha Cruz de Pau
Parei no Samouco, recusei venenos
Fugi de empecilhos, safei-me a Sarilhos
Grandes e Pequenos

No Pragal rezei e ao Cristo subi
Lisboa serena, parece pequena
Ao vê-la daqui
Cantando este fado, sinto orgulho e fé
Esqueço a minha mágoa, sou da borda d'água
Nasci na maré