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Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE *filósofo
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Fado escravo

Tiago Torres da Silva / Olívia Byington
Repertório de Maria João Quadros


É no silêncio da noite quando o murmurio do mar
Se transforma num açoite que todos querem escutar
Que a mulher convoca o vento e semeia a tempestade
Ensinando o seu lamento a transformar-se em saudade

Talvez se escutem poemas
No negror do tombadilho;
As mulheres são mães supremas
Num braço, trazem algemas
No outro, levam um filho

Por cada onda há um homem num remar de tanta idade
Não são as dores que o consomem, só o consome a saudade
Há um chicote a estalar, e há um navio que avança
Ninguém se atreve a chorar, ninguém se atreve a ter esperança

Talvez se escutem canções
Na negrura do convés
Os homens calam paixões
Esconderam os corações
Por sob a planta dos pés

Quem são estes desgraçados que invocam os mares do sul
E acabam naufragados na sombra do céu azul?
Que mar este que se acalma em corpos que o sol queimou
Indo a estibordo da alma que nenhum Deus lhe doou

Talvez se escute uma prece
E se ergam olhos aos céus
Em cada corpo se esquece
Um Deus que não o conhece
Um Deus que não quer ser Deus