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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.650 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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O bêbado pintor

Linhares Barbosa / Alfredo Duarte *fado laranjeira*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Encostado sem brio ao balcão da taberna
De nauseabunda cor e tábua carcomida
O bêbado pintor a lápis desenhou
O retrato fiel duma mulher perdida

Impudica mulher, perante o vil bulício
De copos tilintando e de boçais gracejos
Agarrou-se ao rapaz e cobrindo-o de beijos
Perguntou-lhe a sorrir, qual era o seu oficio;
Ele a cambalear, fazendo um sacrifício
Lhe diz a profissão em que se iniciou

E ela escutando tal, pedindo alcançou
Que então lhe desenhasse o rosto provocante
E num sujo papel, as feições da bacante
O bêbado pintor a lápis desenhou

Retocou o perfil e por baixo escreveu
Numa legível letra o seu modesto nome

Que um ébrio esfarrapado, e o rosto cheio de fome
Com voz rascante e rouca à desgraçada leu

Esta, louca de dor para o jovem correu
Beijando-lhe muito o rosto, e abraço-o de seguida
Era a mãe do pintor, e a turba comovida
Pasma ante aquele quadro, original, estranho;
Enquanto o pobre artista amarfanha o desenho
O retrato fiel duma mulher perdida