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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.585 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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Fado do estudante

Raúl Ferrão / Raúl Portela / José Galhardo
Repertório de João Braga

Que negra sina, ver-me assim / Que sorte vil, degradante
Ai que saudade eu sinto em mim / Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de amor que dum rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar, cabeça ao léu, só para amar vivia eu
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas

Nenhuma delas me prendeu / Deixá-las eu, era canja
Até ao dia em que apareceu / Essa traidora da franja

Sempre a tenir, sem um tostão, batina a abrir por um rasgão
Botas a rir, um bengalão e ar descarado
A vadiar com outros mais ia dançar p’ros arraiais
P'ra namorar, beber, folgar, cantar o fado

Recordo agora com saudade / Os calhamaços que eu lia
Os professores, a faculdade / E a mesa de anatomia

Invoco em mim recordações que não têm fim
Dessas lições frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava e se estudasse ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana


O fado é toda a minha fé / Embala, encanta e enebria
Pois chega a ser bonito até / Na rádio ou telefonia

Quanto é tocado com calor, bem atirado e a rigor
É belo o fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar
E eis a razão de eu ser doutor e ser fadista