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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Balada para uma velhinha

Ary dos Santos / Martinho d'Assunção
Repertório de Carlos do Carmo

Num banco de jardim, uma velhinha
Está tão só com a sombrinha q
ue é o seu pano de fundo
Num banco de jardim u
ma velhinha está sózinha
Não há coisa mais triste neste mundo
E apenas faz ternura, não faz pena, não faz dó
Pois tem no rosto um resto de frescura


Já coseu alpergatas e bandeiras verdadeiras
Amargou a pobreza até ao fundo
Dos ossos fez as mesas e as cadeiras, as maneiras
Que a fazem estar sentada sobre o mundo
Neste jardim, é ela a trepadeira das canseiras
Das rugas onde o tempo é mais profundo

Num banco de jardim, uma velhinha
Nunca mais estará sózinha, o futuro está com ela
E abrindo ao sol o negro da sombrinha puídinha
O sol vem namorá-la da janela
Se essa velhinha fosse a mãe que quero, a mãe que eu tinha
Não havia no mundo outra mais bela

Num banco de jardim uma velhinha
Faz desenhos nas pedrinhas que afinal são como eu
Sabe que as dores que tem também são minhas
São moínhas do filho a desbravar que Deus lhe deu
E em volta do seu manto, os malmequeres e as andorinhas
Provam que a minha mãe nunca morreu