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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fadinho do bacalhau

Ary dos Santos / Paulo de Carvalho
Repertório de Paulo de Carvalho

Dantes era o mais fiel dos amigos deste povo
Até com espinhas na pele
Marchava com couves, com alho e com ovo
Agora subiu de posto, está pela hora da morte
Quem quiser saber-lhe o gosto
Vai pagar com juros e tem muita sorte

Ai que saudades do meu bacalhau
Das pataniscas, das postas na brasa
Com cebolinhas e com colorau
Com feijão frade à moda da casa;
Ai pastelinhos, onde é que eles estão?
Meia-desfeita quando é que eu a faço?
E até aquilo que se faz à mão
Sem bacalhau, nunca mais faço

Quando fores à mercearia, não compres por lebre gato
Se é abrotea é porcaria
Enrola no tacho e não sai barato
O que é preciso é a malta exigir de muitos modos
Que se acabe com a falta
E haja bacalhau com todos, p’ra todos