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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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O cadete d’Antoninha

João de Vasconcellos e Sá / José Marques *fado triplicado*
Repertório de António Pinto Basto

Ali passa toda a vida
Percorrendo essa avenida
Faça vento ou faça frio
Um cadete que é teimoso
Que ali anda pressuroso
Num constante rodopio

Antoninha, sem demora
Na janela a toda a hora / Já não foge ao seu olhar
Olha, agora, lá está ela
Debruçada na janela / Para o ver por lá passar

O cadete apaixonado
Era, dantes, desprezado / Provocava o seu desdém
Longos dias, longos meses
Lá passava muitas vezes / Mas não via lá ninguém

Hora a hora, dia a dia
Tanta mágoa traduzia / Tanto o pobre entristeceu
Era tal o seu tormento
Sempre à chuva, sempre ao vento / Que Antoninha se rendeu

E hoje, enfim, qualquer pessoa
De Coimbra ou de Lisboa / Do Seixal ou da Barquinha
De Reguengos ou de Beja
Toda a gente em inveja / Do cadete d’Antoninha