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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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As 5.585 letras publicadas referem a fonte de extração, o que nem sempre quer dizer que os artistas mencionados sejam os seus criadores.
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Fado do cívico

Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos / Bernardo Ferreira
Da revista Torre de Babel – 1917
Intérprete: Estevão Amarante 

Eu sou polícia, por desgraça
Faço frente à populaça
Que me odeia porque a livro dos ladrões                                   
E se dou caça aos malandrões
Sou apupado, sou corrido, apedrejado
Vou corrido aos encontrões
E se faço um gesto vago pra bater nos refilões                    
Eu sou corrido e mal pago  

Hei-de multar, fazer prisões
Hei-de apitar contra os ladrões
E tudo por seis tostões

Quando a república se fez
Eu comi tanto, dessa vez
Fiquei logo com a cabeça partida
Mas veio o 14 de Maio
Ai, pai da vida, ferraram-me um outro ensaio     
Que a coisa esteve gaudida
E tanto tenho levado que já estou habituado
E não quero outra comida                         

Eu uma vez caí na asneira
De atirar-me a uma sopeira
Que me dava boas pernas de galinha
E vai daí, de manhãzinha
Ardendo em brasa, subo a escada
Entro em casa, vou direito à cozinha
Apalpei uma pessoa, vai-se a ver, era a patroa                   
Que me fechou logo na cozinha

Veio o marido, aos encontrões
Lá fui corrido aos cachações
E tudo por seis tostões