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<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Fado Burrico

Ary dos Santos / Paulo de Carvalho
Repertório de Carlos do Carmo

Eram hortas, muitas hortas
Com o verde à flor da face
Mal se via fora de portas
Parece a terra uma alface
Ai que mundo descoberto
Entre o longe e o tão perto

Lavadeira de revista
Que eu vi quando era menino
A lavar a roupa ao sol
Que há na trouxa do destino
Ai a barrela que eu fiz
Por ela

Arre Burro... acabou-se esta cantiga
Arre Burro... já não há estrada antiga
Não temas nunca mais coisa nenhuma
Saloio foi apenas uma alcunha

Pão caseiro, pão dorido
Nos moinhos da fadiga
Farinha de homem moído
Pela mó que tem a vida
Ai se me dessem vento
Eu já não moía o tempo

Saloios da madrugada
Que só vêm á Ribeira
No bolso levam a estrada
Que andaram a vida inteira
Ai eu sou trigo e não joio
Saloio