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6.000 Publicações <> 1.750.000 Visitas <> Maio 2020

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Ai Silvina, Silvininha

António Gedeão / Alain Oulman
Repertório de Camané
                                                                                     
Lindos olhos tem Silvina / Lindas mãos Silvina tem
E a cintura da Silvina / É fina como o azevém
Em Silvina tudo exala / Um cheiro de coisa fina
Mas o que a nada se iguala / É a fala da Silvina

Porque não cantas Silvina / 
Se a tua voz é tão doce
Talvez cantada que fosse / Mais doce que a glicerina;
Não me apetece cantar / E muito menos p’ra ti
Eu sou nova, tu és velho / Já não és homem p’ra mim

Não me tentes Silvininha / Que eu já não te olho a direito
Sou como o ladrão escondido / Na azinhaga do teu peito
A azinhaga do meu peito / Corre entre duas colinas
E o ladrão do meu amor / Tem pé leve e pernas finas

Canta, canta Silvininha / 
Como se fosse para mim
Dar-te-ei um lençol de estrelas / E uma enxerga de alecrim;
Deixa o teu corpo estendido / À terra que o há-de comer
A tua cama é de pinho / Teus lençóis de entristecer

Canta, canta Silvininha / Uma canção só p’ra mim
Dar-te-ei um escorpião de oiro / E um aguilhão de marfim
Não quero o teu escorpião / Nem de oiro nem de prata
Quero o meu amor trigueiro / Que é firme e não se desata

Pois não cantes Silvininha / 
Se é essa a tua vontade
Canto eu mesmo assim velho / Que o cantar não tem idade;
Hás-de tu ser morta e fria / Sem anos se passarão
Já de ti ninguém se lembra / Nem de quem te pôs a mão;
Mas sempre há-de haver quem canta
Os versos desta canção
Ai Silvina, ai Silvininha
Amor do meu coração