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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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O Chico da Mouraria

*Fado da rainha*
Tomaz Colaço / Frederico Freitas e António Melo *fado rainha*
Versão do repertório de Argentina Santos
Criação de Maria Albertina com o título *Fado da rainha*
Teatro Avenida na Revista *Água Vai* em 1937


O Chico da Mouraria
Cantava tão bem o fado 
Com tanta sabedoria
Que era o homem mais falado
De quantos homens havia

Uma guitarra de pinho 
Com cinco cordas de arame
Tocava-as com tal jeitinho
Que era sempre um enxame 
De moças, no seu caminho

Mas certo dia, à tardinha 
Um grande de Portugal
Deu-lhe o recado que tinha
Vai ao palácio real 
Cantar o fado à rainha

A rainha era novita 
Uma princesa estrangeira
Usava laços e fita 
Na doirada cabeleira
Que a tornavam tão bonita

Eu não sei aqui contar 
O que depois aconteceu
Talvez o conte o luar
O fado logo aprendeu 
E anda sempre a cantar

E então, desde esse dia 
Desde aquela serenata
Sem saber quem lha daria
Usa guitarra de prata 
O Chico da Mouraria        

Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção
*

Esta letra aparece muitas vezes atribuída a Américo Marques dos Santos. 
Este letrista limitou-se a adaptar a letra original de Tomás Colaço a sextilhas 
acrescentando-lhes versos cheios de erros de métrica, num atropelo aos direitos 
do autor verdadeiro, pois registou essa péssima adaptação como original seu 
na SECTP, em 23/10/67, com o título «A Princesa e o Fado»; e uma segunda vez 
em 22/9/1976, com o título «O Chico da Mouraria»*

Argentina Santos (CD Argentina Santos, Discossete, Lda., Lisboa, 1995) e Manuel 
Cardoso de Meneses (CD O Fado – Manuel Cardoso de Meneses "Hoje" 
Companhia Nacional da Música, S. A., Lisboa, 2010) gravaram, em excelentes
interpretações as quintilhas originais de Tomás Colaço, na música de 
Frederico de Freitas e António Melo mas com o título «O Chico da Mouraria
 quando deveria ter sido o título original *Fado da Rainha*.
Infelizmente também, ambas as editoras atribuíram a letra a Américo dos Santos 
perpetuando o erro e encaminhando os direitos de autor para que não deveria 
recebê-los. Para se poder comparar com o original, as sextilhas de 
Marques dos Santos são:

O Chico da Mouraria / Cantava tão bem o fado
Com tanta sabedoria / Que era o fadista mais disputado
P’la nobreza e fidalguia/ Que havia naquele reinado

Uma guitarra de pinho / Com cinco cordas de arame
Tocava-as com tal jeitinho / E tal mestria que era um enxame
De moças no seu caminho / Ouvindo o lindo certame

Mas certo dia à tardinha / Um grande de Portugal
Deu-lhe um recado que tinha
Para que fosse ao Paço Real / Cantar o Fado à Rainha
Com sua voz de cristal

A rainha era novita / Uma princesa estrangeira
Usava laços de fita / Que lhe cingiam a cabeleira
Era a c’roa mais bonita / Num rosto de feiticeira

Porém eu não sei contar / O que então aconteceu
Talvez o saiba o luar / Como a rainha logo aprendeu
O lindo fado a cantar / E nunca mais se esqueceu

A partir daquela data / Do Socorro até à Guia
Desde aquela serenata / Quem vê o Chico da Mouraria
Usa guitarra de prata / Sem saber quem lha daria


Criação de Maria Albertina com o título *Fado da rainha* Teatro Avenida na Revista 
*Água Vai* em 1937
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
(Do jornal A Voz de Portugal, Ano II, n.º 6, de 15 de maio de 1955)