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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Brincos para brincar

João Linhares Barbosa / Francisco Carvalhinho
Repertório de Maria Amélia Proença

Quando eu era pequenina
P’ra me enfeitar as orelhas
Minha mãe punha-me às vezes
Quatro cerejas vermelhas

E toda tola lembro-me ainda / Que ia p’rá escola vaidosa e linda
Brincos vermelhos a dar que dar / Pedia espelhos p’ra me mirar
Diziam todos que bem lhe fica / Lembra nos modos menina rica
Via-os revia-os como riqueza / Depois comia-os à sobremesa

Um dia as mais raparigas
Filhas como eu da pobreza
Puseram-me nas orelhas
Dois brinquinhos de princesa

E toda triques faces coradas / Ia aos despiques nas desfolhadas
Vinham meus brincos de algum vergel / Não punham vincos na minha pele
Depois mais tarde vi-te e amei / Deste-me brincos de ouro de lei
Bendito sejas mas na verdade / Vejo cerejas sinto saudade