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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Asas brancas

Afonso de Sousa *inspirado no poema de Almeida Garrett, "As minhas asas"
Intérprete: António Bernardin


Quando era pequenino a desventura
Trazia-me saudoso e triste o rosto
Assim como quem sofre algum desgosto
Assim como quem chora de amargura

Um anjo de asas brancas muito finas
Sabendo-me infeliz mas inocente
Cedeu-me as suas asas pequeninas
Para me ver voar e ser contente

E as asas de criança, meu tesoiro
Ao ver-me assim tão triste, iam ao céu
Tão brancas, tão macias – penas de oiro
Tão leves como a aragem... como eu

Cresci, cresceram culpas juntamente
Já grandes são as mágoas mais pequenas
As asas brancas vão-se... e ficam penas
Não mais subi ao céu, nem fui contente