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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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A fuga da Mariquinhas

Torre da Guia / Popular *fado mouraria*
Repertório de Nuno de Aguiar

Depois do tal leilão
A Mariquinhas, com fé
Deu-se d'alma e coração
Ao Porto, e vive na Sé

Com as tralhas no passeio / Sobre a troça das vizinhas
Enervada, a Mariquinhas / Sem medo do devaneio
Zangada tirou do seio / Um antigo medalhão
Saudosa recordação / Que guardava com amor
Seu derradeiro valor /
Depois do tal leilão

Não fazendo caso delas / Passou pelo penhorista
E com o dinheiro à vista / Foi à feira de Odivelas
Com a maior das cautelas / Comprar em boa maré
Um *burro* cor de café / E pedindo a Deus mais sorte
Pôs-se a caminho do norte / A Mariquinhas com fé

O *burro* tinha manias / Era teimoso, era torto
Mas lá chegaram ao Porto / Ao cabo de quinze dias
Pondo fim às arrelias / A Mariquinhas, então
Alugou um rés-do-chão / Com o resto do dinheiro
E àquele pardieiro / Deu-se d'alma e coração

Como viu valer a pena / E até gostava do ócio
Tratou de arranjar um sócio / Que é um tal Gil de Vilhena
Que de mão firme e serena / Sabedoria e gajé
Pôs o fado ali de pé / Hoje em dia a Mariquinhas
Deu o cofre e as tabuinhas / Ao Porto, e vive na Sé