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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Fado jurídico-criminal

João Gigante-Ferreira / André Teixeira
Repertório de Helena Sarmento

P'lo artigo cento e tal
Da regra dos bons costumes
A maçã do senhor Nunes
É um bem celestial

Estão a postos os jurados / Numa sala as testemunhas
O arguido rói as unhas / Os juízes descansados

Não fui eu, foi a serpente / Não sei mais o que lhes diga
Isso é história muito antiga / Contada por muita gente

Comi por ter muita fome / Suplicou o acusado
Sou órfão de pai e mãe / E estou desempregado

Quantos anos p'ra que constem / Perguntou o presidente
Oitenta feitos ontem / O Meirinho diligente

O senhor não tem vergonha / De ter fome àquela hora
Mas que vício ou que peçonha / O não deixou vir embora?

Já me custa muito a andar / E o que eu quero já me esquece
Fui vítima de maus tratos / E não tinha GPS      

Não pense que nos engana / É suprema esta questão
A maçã que aqui se trata / É a civilização

E que sorte tem o senhor / Demandado nesta liça
Que tem pago defensor / Que a tremer, pediu justiça

Vai o réu, pois, condenado / À pena mais capital
Disse o último jurado: / Esconjurado está o mal

Tudo está no seu lugar / A maçã dos bons costumes
A árvore que é do Nunes / Os polícias a acenar

O arguido prá cadeia / A cadeia a transbordar
O Meirinho pró Ikea / Os juízes a jantar