... e porque nem só de fado vive a alma portuguesa ...

*encontrará neste blogue letras de algumas canções que merecem ser perpetuadas*
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Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
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As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
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A navalha

António Lobo Antunes / José Luís Tinoco
Repertório de Carlos do Carmo


A lua navalha na palma da mão
Lençol amortalha se a faca retalha 
No sol que me dão
De prata cigana quero o meu punhal;
Braço de quem ama, na morte me chama
Um grito de lama de prata cigana
Num muro de cal

Ai noite de breu, ai luz de limão
Alguém acendeu, alguém não fui eu
O lume do chão
Quem foi que o traiu
Quem foi que o matou
O ramo partiu, a folha caiu
A sombra floriu, a boca mentiu
A mão apagou

Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou

Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais

Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou

De manhã chegaram, levaram do chão
Com panos limparam, o rosto taparam
Na cova deitaram, com o sal secaram
O sol que lhe dão

Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Ai vento em gangrena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais