Repertório de Carlos do Carmo
A lua navalha na palma da mão
Lençol amortalha se a faca retalha
No sol que me dão
De prata cigana quero o meu punhal;
Braço de quem ama, na morte me chama
Um grito de lama de prata cigana
Num muro de cal
Ai noite de breu, ai luz de limão
Alguém acendeu, alguém não fui eu
O lume do chão
Quem foi que o traiu
De prata cigana quero o meu punhal;
Braço de quem ama, na morte me chama
Um grito de lama de prata cigana
Num muro de cal
Ai noite de breu, ai luz de limão
Alguém acendeu, alguém não fui eu
O lume do chão
Quem foi que o traiu
Quem foi que o matou
O ramo partiu, a folha caiu
A sombra floriu, a boca mentiu
A mão apagou
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
O ramo partiu, a folha caiu
A sombra floriu, a boca mentiu
A mão apagou
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Na terra, estendido, o vulto ficou
O rosto esquecido
O olhar perdido, o corpo vencido
Deitado, sangrou
De manhã chegaram, levaram do chão
Com panos limparam, o rosto taparam
Na cova deitaram, com o sal secaram
O sol que lhe dão
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Odor de açucena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Ai terra morena, ai céu de pinhais
Ai vento em gangrena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais
Ai vento em gangrena
Ai braço que acena, ai rosa pequena
Um golpe, não mais