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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Lembras-te mãe

Jorge Ataíde / Nuno de Aguiar
Repertório de Nuno de Aguiar

Lembras-te mãe, quando eu ia para a escola
E levava na sacola as contas por fazer
E tu sabias que de tudo eu sorria
Pois o mal eu nunca via, no que ouvia dizer;

Lembras-te mãe, quando eu brincava aos barquitos
E com outros pequenitos tudo era bom a valer
Agora mãe, como o tempo já passou
E tudo, tudo mudou, que havemos nós de fazer?

Lembras-te mãe, quando eu saía aos recados
Esquecido ouvia fados na telefonia da tasca
E tu pensavas que nem sequer te ligava
E só com a malta andava, saído fora da casca;

Lembras-te mãe, quanto te pedia a coroa
E corria por Lisboa direito ao Terreirinho
E o guitarrista que nessa altura lá estava
Somente me acompanhava se lhe pagasse um copinho

Lembras-te mãe, quando eu saía da escola
Saltava, jogava a bola, e tu me ias buscar
Era gaiato quando saía o portão
E ouvia... vê o calção... não queiras logo apanhar;

Lembras-te mãe, como eu sonhava deveras
Sem saber que tu eras o Natal que eu queria ter
Agora mãe... como o tempo já passou
E tudo, tudo mudou, que havemos nós de fazer?