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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Desejo infantil

Tó Moliças / Popular *fado das horas*
Repertório de Rodrigo

Sem ver que os anos consomem
As ilusões lentamente
Desejei infantilmente
Crescer, ter barba e ser homem

Paraíso de ternura / É o mundo da criança
Que brinca com a doce esperança / Com a bondade e com a ternura;
Sem pensar na desventura / Que o homem tem, por ser homem
Neste mudo de desordem / De ilusões e desenganos
Brincam dias, brincam anos / Sem ver que os anos consomem

Consomem a felicidade / De ser sempre pequenino
Como é o Deus menino / E dão a rivalidade
A inveja e a maldade / De ser mais, de ser diferente
E matam constantemente / A pureza, a gratidão
E apagam no coração / As ilusões lentamente

Como criança que chora / Por um estranho brinquedo
Eu quis um dia, sem medo / Marchar p'los anos fora
Desgosto que me devora / E me abate tristemente
Quis ser grande e quis ser gente / Quis dar mimo e dar carinho
E ter um dia um paizinho / Desejei infantilmente

Que o mundo fique parado / Que os filhos não cresçam mais
P'ra não haver nunca mais / Um Jesus crucificado;
Oh meu Deus idolatrado / Dá a tua divina ordem
P'ra que um dia se transformem / Os caprichos do destino
P'ra nunca mais um menino / Crescer, ter barba e ser homem