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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Melros

Frederico de Brito / José Marques *fado rigoroso*
Repertório de Raúl Pareira

Aquele melro negro e zombeteiro
Que à beira do regato fez o ninho
Andou a assobiar o dia inteiro
A querer desafiar um pastorinho

Também soube imitar suas baladas
Do alto das ameias dos silvados
Que as pobres ovelhinhas enganadas
Perderam-se nas sombras dos valados

Assim, foi descambando a tarde fria
E o Sol guardou no mar seu rubro disco
Nenhuma das ovelhas conhecia
Qual era o bom caminho do aprisco

Quando a noite desceu e o luar brando
Pedia aos rouxinóis canções de amor
Ainda o melro andava assobiando
A rir, das ovelhinhas, do pastor

Agora, este conceito guardo apenas
Da história que me serve a mim também
Ninguém deve fiar-se em cantilenas
Há melros que assobiam muito bem