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<> Ninguém sabe tudo, ninguém ignora tudo, só todos juntos sabemos alguma coisa <> PAULO FREIRE
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Margens da solidão

José Manuel Mendes / Alfredo Duarte *marcha do marceneiro*
Repertório de Carlos do Carmo

Olhar que vais pelas ruas
Como brisa a enternecer
Os murmúrios deste verão;
Todas as águas são tuas
No meu modo de nascer
Nas margens da solidão;
Todas as águas são nuas
Entre as aves a beber
O azul do fogo e paixão

É tu quem colhe o que passa
Quem diz a sombra ou a flor / Que brilha p'la cidade
Caminhas de beco em praça
Brancura, guitarra e dôr / Que a terra da noite invade;
E na chama que te abraça
O tempo é só um fulgor / No meio da claridade

Ausências sabes, destinos
Naufrágios e alegrias / Sob a prata do luar
Amores que são desatinos
Raíz do lume e dos dias / Gestos, mastros a bailar;
Olhar meus olhos meninos
Ao redor das melodias / Do futuro a inventar