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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Mãos de mãe

Francisco Radamanto / Armando Augusto Freire *fado alexandrino antigo*
Repertório de César Morgado

És linda minha mãe, és uma linda aurora
És o sol a nascer para me vir beijar
Teu rosto me parece o de Nossa Senhora
Que está na linda igreja onde vamos rezar

O pequeno beijou o rosto de sua mãe
Que viveu radiante os momentos felizes
Mas logo continuou; as tuas mãos, porém
São tão feias assim cheias de cicatrizes

Num movimento brusco ela as mãos retirou
Disfarçando a sorrir uma amargura infinda
O pai que tudo ouviu, seu filho então chamou
Dizendo-lhe, vem ouvir uma história bem linda

Escuta, era uma vez certo lindo menino
Que no berço dormia um sonho sossegado
Quuando em hora fatal, por descuido ou destino
Nas cortinas de renda o fogo se há pegado

Da ama, ao brado aflito acorreu logo a pobre mãe
Que à chama, desvairada, o seu filho arrancou
E ela que tinha as mãos mais lindas que ninguém
Com essas doces mãos assim feias ficou

O petiz compreendeu toda a lição que tinha
Esta singela história e num sentir profundo
Beijou a mãe, dizendo; as tuas mãos mãezinha
São as mais lindas mãos que existem neste mundo