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Lume

Manuela de Freitas / Armando Machado *fado santa luzia*
Repertório de Camané

Foi assim, era costume
Tu vinhas pedir-me lume
Ao balcão daquele bar
Eu disse que não, primeiro
Depois, comprei um isqueiro
E até voltei a fumar

As noites que nós passamos
Quantos cigarros fumamos / Tanta lume que eu te dei
Um dia acordei com frio
Estava o cinzeiro vazio / E nunca mais te encontrei

Mas ontem, naquele bar
De repente, vi-te entrar / Foste direita ao balcão
Como era o teu costume
Vieste pedir-me lume / Mas eu disse-te que não

Se quando te foste embora
Deitei o isqueiro fora / Que lume te posso eu dar ?
Pede a outro que te ajude
P'ra bem da minha saúde / Eu já deixei de fumar

Sem dormir de nadrugada
Ouvi teus passos na escada / Vi da janela, o teu carro
Debaixo do travesseiro
Encontraste o meu isqueiro / 
E acendeste-me o cigarro