- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
6.525 LETRAS PUBLICADAS <> 2.552.800 VISITAS < > AGOSTO 2022
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Chinelas da Mouraria

Linhares Barbosa / Santos Moreira 
Versão do repertório de Carlos Ramos 
-
Muitas vezes se ouve esta colorida e viva letra nas casas de fado o que muitos não saberão 
é ter sido escrita, em 1955, para Amália Rodrigues, que nunca o gravou, subsistindo 
dúvidas sobre se alguma vez a terá cantado.
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*

-
Chinelas da Mouraria / Não há vida como a delas 
Baquetas em harmonia / Tamborilando as vielas 

Felizes ou malfadadas / Podem ser p'la vida fora 
Porque elas marcam, coitadas 
Os passos que uma mulher / Dá na vida, hora a hora 

Vão atrás da procissão 
Têm o rufar dos tambores / Solenes pelo caminho 
Sentem que ao pisar o chão 
Pisam as humildes flores / De alfazema e rosmaninho 
É vê-las nos bailaricos 
Estalinhos de Santo António / Não fazem mais algazarra 
São como dois mafarricos 
Nos pézinhos dum demónio / Que no amor se desgarra 

Conta-se que certa vez / Numa castiça toirada 
Uma chinela atrirada / Feriu a cara do Marquês 

Desde então, desde essa era / Com verdade ou fantasia 
A chinela da Severa / Entrou na história do fado 
Do fado da Mouraria


Do original desta letra, dactilografado e assinado por Linhares Barbosa, constam, no refrão
os versos «É vê-las num bailarico», rimando irregularmente com «São como dois demonicos». 

Hoje em dia ouve-se, quanto a nós mais correctamente, «É vê-las nos bailaricos»
rimando com «São como dois mafarricos». 

Suspeita-se de que tenha sido o próprio autor a fazer posteriormente esta rectificação
dado ter sido contemporâneo e convivido de perto, pelo menos, com dois dos
primeiros intérpretes a gravar esta peça: Filipe Duarte e Carlos Ramos.