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6.240 LETRAS PUBLICADAS /*/ 2.053.000 VISITAS /*/ FEVEREIRO 2021

ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO.

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Fado antigo

Martinho d'Assunção (pai) / Popular *fado corrido*
Repertório de Manuel de Almeida 

Também gravado com o título *Antigamente*

Meu velho fado corrido
Se foste dos mais bairristas
Porque te mostras esquecido
Na garganta dos fadistas

Explicou-me um velho amigo / Como o fado era tratado
Tinha graça o fado antigo / Da forma que era cantado

Um ramo de loiro à porta / Indicava uma taberna
À noite era uma lanterna / Com sua luz quase morta

Sobre os cascos da vinhaça / Deitada em forma bizarra
Estava sempre uma guitarra / Para servir de negaça


O canjirão da murraça / De tosco barro vidrado
Andava sempre colado / Aos copos, pelo balcão
E era assim nesta função / Como o fado era cantado

Se aparecia um tocador / Às vezes até zaranza
Pedia ao tasqueiro, a banza / Para mostrar seu valor


Logo havia um cantador / Dando um tom de certo perigo
Provocava o inimigo / No cantar à desgarrada
Até às vezes com lambada / Tinha graça o fado antigo

Pouco tempo decorrido / Cheia a taberna se via
P’ra escutar a cantoria / Ao som do fado corrido


Todos prestavam sentido / Quando alguém cantava o fado
O tocar era arrastado / O estilo dava a garganta
Hoje pouca gente o canta / Da forma que era cantado

Escutei com atenção / Um cantador do passado
E a sua linda canção / Prendeu-me p’ra sempre ao fado

Por muito que se disser / O fado é canção bairrista
Não é fadista quem quer / 
Mas sim quem nasceu fadista