João Dias / Popular *fado corrido*
Repertório Vicente da Câmara
Quem canta por conta sua
Canta com muita razão
Antes pardal cá na rua
Que rouxinol na prisão
Ser satélite d’alguém
Como do sol é a lua
É destino que não tem
Quem canta por conta sua
Ser-se livre é na verdade
Tão urgente como o pão
E quem canta em liberdade
Canta com muita razão
Linda ave de voz d’oiro
Que bela gaiola a tua
Mas irmão para tal tesoiro
Antes pardal cá na rua
E embora cantando mal
Se é de livre condição
Tem mais valor o pardal
Que rouxinol na prisão
Crónica do Ribatejo
António Lúcio Vieira / Paco Bandeira
Repertório de Paco Bandeira
A braços faz-se a lezíria
Nas veias soltou-se o Tejo
Este chão de camponeses
Que me fala quando o vejo;
Diz-me a verdade da terra
Diz-me a certeza do povo
Do Ribatejo
Tentam-se toiros, contam-se pegas
Rompem fandangos pelas sossegas
Passam marialvas, passa a procissão
Ninguém diz da fome nem da escravidão
Veste-se a melhor jaqueta
E compra-se um selim novo
Abre-se a porta da adega
P’ra embebedar o povo;
Canta-se o fado em tertúlias
Ganham-se prémios na feira
Cala-se o roubo
Só tu podes, companheiro
Enfrentar senhores e gado
Montando corcéis de esperança
Toureando o sol embolado;
Só o povo, sobe a cheia
Num barco de muitos nomes
Sempre varado
Repertório de Paco Bandeira
A braços faz-se a lezíria
Nas veias soltou-se o Tejo
Este chão de camponeses
Que me fala quando o vejo;
Diz-me a verdade da terra
Diz-me a certeza do povo
Do Ribatejo
Tentam-se toiros, contam-se pegas
Rompem fandangos pelas sossegas
Passam marialvas, passa a procissão
Ninguém diz da fome nem da escravidão
Veste-se a melhor jaqueta
E compra-se um selim novo
Abre-se a porta da adega
P’ra embebedar o povo;
Canta-se o fado em tertúlias
Ganham-se prémios na feira
Cala-se o roubo
Só tu podes, companheiro
Enfrentar senhores e gado
Montando corcéis de esperança
Toureando o sol embolado;
Só o povo, sobe a cheia
Num barco de muitos nomes
Sempre varado
Na fonte está Lianor
Letra e música de José Afonso
Repertório do autor
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
O rosto sobre ũa mão
Os olhos no chão pregados
Que, de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
Repertório do autor
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
Nisto estava Lianor
O seu desejo enganando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
O rosto sobre ũa mão
Os olhos no chão pregados
Que, de chorar já cansados
Algum descanso lhe dão
Na fonte está Lianor
Lavando a talha e chorando
Às amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
Lenda de Benavente
João Dias / Alfredo Correeiro
Repertório de Rodrigo
O Chico de Benavente
Era um campino valente
Brioso no seu labor
Quer fosse toiro ou novilho
Obedecia ao pampilho
Como um escravo ao seu senhor
Tratava como um irmão
O seu cavalo alazão
Nobre e veloz como um raio
Salvara-o de muito perigo
Era o seu maior amigo
Montava-o desde catraio
Mas um dia, D. João
Cavaleiro e seu patrão
Figura bem conhecida
Pediu ao Chico o cavalo
Dizendo que ia treiná-lo
Para a próxima corrida
Mas por capricho da sorte
O cavalo encontra a morte
Depois de grave colhida
E enquanto o patrão fugia
O Chico à arena descia
Perdendo também a vida
Dizem que em noites de assombro
O Chico pampilho ao ombro
Montado num alazão
Corre os campos ponta a ponta
E grita pedindo contas
Ao fidalgo seu patrão
Repertório de Rodrigo
O Chico de Benavente
Era um campino valente
Brioso no seu labor
Quer fosse toiro ou novilho
Obedecia ao pampilho
Como um escravo ao seu senhor
Tratava como um irmão
O seu cavalo alazão
Nobre e veloz como um raio
Salvara-o de muito perigo
Era o seu maior amigo
Montava-o desde catraio
Mas um dia, D. João
Cavaleiro e seu patrão
Figura bem conhecida
Pediu ao Chico o cavalo
Dizendo que ia treiná-lo
Para a próxima corrida
Mas por capricho da sorte
O cavalo encontra a morte
Depois de grave colhida
E enquanto o patrão fugia
O Chico à arena descia
Perdendo também a vida
Dizem que em noites de assombro
O Chico pampilho ao ombro
Montado num alazão
Corre os campos ponta a ponta
E grita pedindo contas
Ao fidalgo seu patrão
Lisboa, o sol e o mar
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Há entre o sol o mar
Um barulho que atordoa
Porque ambos querem casar
Contigo, Lisboa
O sol não é capaz
De ver dia a dia o Tejo
Em cada onda que faz
Roubar-te um beijo
É o sol esse pintor
Que te dá luz em centelhas
E em riquezas de cor
Põe-te brincos nas orelhas
A teus pés ficam as prendas
Que a onda ao voltar atrás
Vai deixando nessas rendas
Que a espuma lhe faz
Até no teu fado passa
Um e outro a namorar
Um verso alegre é a graça
Do sol a brincar
Mas quando há melancolia
Duma saudade a cantar
Vem toda da nostalgia
Que te dá o mar
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Há entre o sol o mar
Um barulho que atordoa
Porque ambos querem casar
Contigo, Lisboa
O sol não é capaz
De ver dia a dia o Tejo
Em cada onda que faz
Roubar-te um beijo
É o sol esse pintor
Que te dá luz em centelhas
E em riquezas de cor
Põe-te brincos nas orelhas
A teus pés ficam as prendas
Que a onda ao voltar atrás
Vai deixando nessas rendas
Que a espuma lhe faz
Até no teu fado passa
Um e outro a namorar
Um verso alegre é a graça
Do sol a brincar
Mas quando há melancolia
Duma saudade a cantar
Vem toda da nostalgia
Que te dá o mar
Terra breve repartida
João Dias / Joaquim Campos *fado amora*
Repertório de Carlos Macedo
Terra breve repartida
Pelo mar feito destino
Ó terra da voz perdida
Nascida em chão pequenino
Que estranho silêncio é este
A gritar dentro de nós
Terra que há muito perdeste
Uma promessa de voz
Onde está a seiva antiga
Que corria em tuas veias
Povo, que força te obriga
Ao silêncio em que te enleias
Nascida em chão pequenino
Terra breve repartida
Pelo mar feito destino
Ó terra da voz perdida
Repertório de Carlos Macedo
Terra breve repartida
Pelo mar feito destino
Ó terra da voz perdida
Nascida em chão pequenino
Que estranho silêncio é este
A gritar dentro de nós
Terra que há muito perdeste
Uma promessa de voz
Onde está a seiva antiga
Que corria em tuas veias
Povo, que força te obriga
Ao silêncio em que te enleias
Nascida em chão pequenino
Terra breve repartida
Pelo mar feito destino
Ó terra da voz perdida
Cabana junto à praia
Letra e música de José Cid
Repertório do autor
Naquele tempo
Tu vinhas de noite à procura de amor
E eu fumando um cigarro
Esperava por ti
Quando chegavas
Abrias a porta sem me avisar
P'la noite fora ficavas abraçada a mim
Na cabana junto à praia
Entre as dunas e os canaviais
Só o vento e o mar e as gaivotas
Falam desse amor
Todos os anos
Eu volto em agosto ao mesmo lugar
Já uma hera cobriu a parede do quarto
Dava dez anos se vida p’ra te ver voltar
Posso estar farto
De tudo mas nunca me afasto
Repertório do autor
Naquele tempo
Tu vinhas de noite à procura de amor
E eu fumando um cigarro
Esperava por ti
Quando chegavas
Abrias a porta sem me avisar
P'la noite fora ficavas abraçada a mim
Na cabana junto à praia
Entre as dunas e os canaviais
Só o vento e o mar e as gaivotas
Falam desse amor
Todos os anos
Eu volto em agosto ao mesmo lugar
Já uma hera cobriu a parede do quarto
Dava dez anos se vida p’ra te ver voltar
Posso estar farto
De tudo mas nunca me afasto
Tudo parecia tão firme
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tudo parecia tão firme
No amor que nos unia
Que até gostava de rir-me
Se alguém vinha garantir-me
Que o tempo o destruiria
E dizia aos meus botões
Numa conversa contida
Não se destroem as paixões
Quando elas são as razões
Da razão da própria vida
Eu via o olhar sem fundo
Dos olhos com que ela olhava
Onde ardiam por segundo
Todos os sonhos dum mundo
Que a fantasia criava
Via a noite, fria e escura
Com tanta sede de luz
Como a boca que procura
Num beijo toda a ternura
Com que o amor nos seduz
Via tudo; só não via
Como o tempo é um cobarde
Que um dia que decorria
No nosso amor era um dia
Que se fazia mais tarde
Já não sou meu, nem és tua
Eu não sou teu e depois
Somos sobra que flutua
Duma saudade que actua
Na vida de nós os dois
Tudo ruiu afinal
Nada no mundo é eterno
Todo o bem acaba em mal
As rosas dum roseiral
Morrem de frio no Inverno
Até a rocha mais firme da montanha
Cai do alto até ao fundo
O tempo tem tanta manha
E uma força tamanha
Que é só ele o rei do mundo
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tudo parecia tão firme
No amor que nos unia
Que até gostava de rir-me
Se alguém vinha garantir-me
Que o tempo o destruiria
E dizia aos meus botões
Numa conversa contida
Não se destroem as paixões
Quando elas são as razões
Da razão da própria vida
Eu via o olhar sem fundo
Dos olhos com que ela olhava
Onde ardiam por segundo
Todos os sonhos dum mundo
Que a fantasia criava
Via a noite, fria e escura
Com tanta sede de luz
Como a boca que procura
Num beijo toda a ternura
Com que o amor nos seduz
Via tudo; só não via
Como o tempo é um cobarde
Que um dia que decorria
No nosso amor era um dia
Que se fazia mais tarde
Já não sou meu, nem és tua
Eu não sou teu e depois
Somos sobra que flutua
Duma saudade que actua
Na vida de nós os dois
Tudo ruiu afinal
Nada no mundo é eterno
Todo o bem acaba em mal
As rosas dum roseiral
Morrem de frio no Inverno
Até a rocha mais firme da montanha
Cai do alto até ao fundo
O tempo tem tanta manha
E uma força tamanha
Que é só ele o rei do mundo
Cantar alentejano
*Catarina Eufémia*
Letra e música de José AfonsoRepertório do autor
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Respira e canta
João Dias / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de Nuno de Aguiar
Amigo, respira e canta
Vaza a alma na garganta
Liberta o sonho maior
Faz do teu corpo uma festa
E põe tudo o que te resta
Num grande gesto de amor
Que o teu sangue seja lava
Em fogueira ardente e brava
Incensando-te a razão
Braços abertos em cruz
Pede ao sol a melhor luz
Para iluminar o teu chão
Escuta na voz das aves
Cantigas que também sabes
Aprende a lição da planta
Espanta sombras e medos (A)
Desnuda a alma aos segredos (B)
Amigo, respira e canta
Estes dois versos foram alterados na gravação
(A) Abate mitos e medos
(B) Desnuda o corpo aos segredos
Repertório de Nuno de Aguiar
Amigo, respira e canta
Vaza a alma na garganta
Liberta o sonho maior
Faz do teu corpo uma festa
E põe tudo o que te resta
Num grande gesto de amor
Que o teu sangue seja lava
Em fogueira ardente e brava
Incensando-te a razão
Braços abertos em cruz
Pede ao sol a melhor luz
Para iluminar o teu chão
Escuta na voz das aves
Cantigas que também sabes
Aprende a lição da planta
Espanta sombras e medos (A)
Desnuda a alma aos segredos (B)
Amigo, respira e canta
Estes dois versos foram alterados na gravação
(A) Abate mitos e medos
(B) Desnuda o corpo aos segredos
Amélia dos olhos doces
Joaquim Pessoa / Carlos Mendes
Repertório de Carlos Mendes
Amélia dos olhos doces
Quem é que te trouxe grávida de esperança?
Um gosto de flor na boca
Na pele e na roupa, perfumes de França
Cabelos cor de viúva
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Amélia dos olhos doces
Quem dera que fosses apenas mulher
Amélia dos olhos doces
Se ao menos tivesses direito a viver
Cabelos cor de viúva
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Amélia gaivota, amante, poeta, rosa de café
Amélia gaiata, do bairro da lata do Cais do Sodré
Tens um nome de navio
Teu corpo é um rio onde a sede corre
Olhos doces, quem diria
Que o amor nascia onde Amélia morre
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Repertório de Carlos Mendes
Amélia dos olhos doces
Quem é que te trouxe grávida de esperança?
Um gosto de flor na boca
Na pele e na roupa, perfumes de França
Cabelos cor de viúva
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Amélia dos olhos doces
Quem dera que fosses apenas mulher
Amélia dos olhos doces
Se ao menos tivesses direito a viver
Cabelos cor de viúva
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Amélia gaivota, amante, poeta, rosa de café
Amélia gaiata, do bairro da lata do Cais do Sodré
Tens um nome de navio
Teu corpo é um rio onde a sede corre
Olhos doces, quem diria
Que o amor nascia onde Amélia morre
Cabelos de chuva, sapatos que tiras e pões
Quantas vezes não queres e não amas
Os homens que dormem
Os homens que dormem contigo na cama
Fado fadista
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O fado às vezes esmorece
E dizem que está mudado
Mas de repente aparece
Tão batido tão marcado
Que a emoção que nos dá
Começa a brincar e ganha tal jeito
Que se o fado é giro não há
Nada sem cantar, cá dentro do peito
O fado agora ind’é gingão ind’é artista
E não me digam que fadista
Ele hoje já o não é, assim
Oiçam lá isto
Que fadista é que tem nisto
Ser mais fadista do qu’isto
Do princípio até ao fim
O fado ninguém o fez
Pois surge naturalmente
Na boca dum português
Que canta aquilo que sente
E a emoção que nos dá
Começa a brincar e ganha tal jeito
Que se o fado é giro não há
Nada sem cantar cá dentro do peito
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
O fado às vezes esmorece
E dizem que está mudado
Mas de repente aparece
Tão batido tão marcado
Que a emoção que nos dá
Começa a brincar e ganha tal jeito
Que se o fado é giro não há
Nada sem cantar, cá dentro do peito
O fado agora ind’é gingão ind’é artista
E não me digam que fadista
Ele hoje já o não é, assim
Oiçam lá isto
Que fadista é que tem nisto
Ser mais fadista do qu’isto
Do princípio até ao fim
O fado ninguém o fez
Pois surge naturalmente
Na boca dum português
Que canta aquilo que sente
E a emoção que nos dá
Começa a brincar e ganha tal jeito
Que se o fado é giro não há
Nada sem cantar cá dentro do peito
Requiem para um morgado
João Dias / Raúl Silva
Repertório de Rodrigo
É dono de muitas leiras
Senhor de muito povoado
Aluga braços nas feiras
Onde vai vender o gado
Monta cavalos e fêmeas
Repertório de Rodrigo
É dono de muitas leiras
Senhor de muito povoado
Aluga braços nas feiras
Onde vai vender o gado
Monta cavalos e fêmeas
Tem filhos que não conhece
Semeia fomes e sêmeas
Semeia fomes e sêmeas
E come o que lhe apetece
Traz a mulher e a montada
Traz a mulher e a montada
Presas na mesma arreata
Sobre a bota afiambrada
Sobre a bota afiambrada
Usa acicates de prata
Sobre a enorme barriga
Sobre a enorme barriga
Cadeias de oiro maciço
Prendem um corno e uma figa
Prendem um corno e uma figa
Para afastar o feitiço
Dizem à boca pequena
Dizem à boca pequena
Que assassinou um maltês
Por um braçado de lenha
Por um braçado de lenha
Deu-lhe dois tiros ou três
Engorda porcos e cães
Engorda porcos e cães
E guardas florestais
E outros filhos da mãe
E outros filhos da mãe
Que lhe guardam os trigais
Missa de corpo presente
Missa de corpo presente
Já pagou adiantado
Deus não fia a toda a gente
Deus não fia a toda a gente
E o céu está superlotado
Aqui ficou retratado
Aqui ficou retratado
Um morgado de outros tempos
Que há pouco foi enterrado
Que há pouco foi enterrado
Com todos os sacramentos
Onde vais alma inquieta?
João Dias / Alfredo Duarte *fado bailado*
Repertório de Vicente da Câmara
Onde vais alma inquieta
Que velhos sonhos te enleiam
Corpo d’areia deserta
Que estranhas sedes te anseiam
Onde vais alma inquieta
Ter medo não sei de quê
Pranto sem razão de ser
Angústia que se não vê
Lembrança que quer esquecer
Ter medo não sei de quê
Esta náusea negra e fria
Sensação de luto e nojo
Esta presença sombria
De vultos que andam de rojo
Esta náusea negra e fria
Onde vais alma inquieta
Que buscas corpo sedento
Se não tens rota nem meta
Vela rota em mar sem vento
Onde vais alma inquieta
Repertório de Vicente da Câmara
Onde vais alma inquieta
Que velhos sonhos te enleiam
Corpo d’areia deserta
Que estranhas sedes te anseiam
Onde vais alma inquieta
Ter medo não sei de quê
Pranto sem razão de ser
Angústia que se não vê
Lembrança que quer esquecer
Ter medo não sei de quê
Esta náusea negra e fria
Sensação de luto e nojo
Esta presença sombria
De vultos que andam de rojo
Esta náusea negra e fria
Onde vais alma inquieta
Que buscas corpo sedento
Se não tens rota nem meta
Vela rota em mar sem vento
Onde vais alma inquieta
Aos meus
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Os meus versos, nem eu sei
Porque os faço, na verdade
Quando a tristeza me invade
Como se fosse um castigo
Sinto uma voz interior
Que me fala, que me anima
Numa conversa que rima
Talvez a brincar comigo
Às vezes, na hora triste
Da tarde em que o Sol se esconde
Fecho os olhos, nem sei onde
Vai caminhando o meu ser
Que sinto ao morrer do dia
Rasgado dentro do peito
Um poema de dor feito
Que nunca soube escrever
E num dia igual a tantos
Em que parta, me vá embora
Deve ser àquela hora
Tão sombria do sol pôr
Os amigos, os meus filhos
E quem se lembrar de mim
Conhece, lendo-me assim
A minha vida interior
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Os meus versos, nem eu sei
Porque os faço, na verdade
Quando a tristeza me invade
Como se fosse um castigo
Sinto uma voz interior
Que me fala, que me anima
Numa conversa que rima
Talvez a brincar comigo
Às vezes, na hora triste
Da tarde em que o Sol se esconde
Fecho os olhos, nem sei onde
Vai caminhando o meu ser
Que sinto ao morrer do dia
Rasgado dentro do peito
Um poema de dor feito
Que nunca soube escrever
E num dia igual a tantos
Em que parta, me vá embora
Deve ser àquela hora
Tão sombria do sol pôr
Os amigos, os meus filhos
E quem se lembrar de mim
Conhece, lendo-me assim
A minha vida interior
Ribeira nova
Versão de Rodrigo
João Dias / António ParreiraRepertório de Rodrigo
Ribeira Nova, Velha Ribeira
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
Velha Ribeira, Ribeira Nova
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
Chegam traineiras
Mais um bote e uma canoa
É a vida na Ribeira
Que dá mais vida a Lisboa
O peixe é pão
Embora duro e salgado
Tem o sabor da razão
De quem tem Deus do seu lado
E o Rio Tejo
Que nasceu p’ra lá da raia
Vem dar à cidade um beijo
Na orla da sua saia
Depois na lota
Com uma piada brejeira
Grita-se o chiu! à marmota
É sempre assim a Ribeira
Ribeira nova
Versão Fernanda Maria
João Dias / Pedro MachadoRepertório de Fernanda Maria
Ribeira nova, velha Ribeira
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
Chegam traineiras
Mais um bote e uma canoa
É a vida na Ribeira
Que dá mais vida a Lisboa
Ribeira nova, velha Ribeira
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
Chegam traineiras
Mais um bote e uma canoa
É a vida na Ribeira
Que dá mais vida a Lisboa
O peixe é pão
Embora duro e salgado
Tem o sabor da razão
De quem tem Deus do seu lado
Ribeira Nova, Velha Ribeira
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
E o Rio Tejo
Que nasceu p’ra lá da raia
Vem dar à cidade um beijo
Na orla da sua saia
Embora duro e salgado
Tem o sabor da razão
De quem tem Deus do seu lado
Ribeira Nova, Velha Ribeira
Cada pregão uma trova
Que acorda Lisboa inteira
E o Rio Tejo
Que nasceu p’ra lá da raia
Vem dar à cidade um beijo
Na orla da sua saia
Um fado que saiba a povo
João Dias / Zeferino Ferreira
Repertório de Selma Fernandes
Haja fado e quem o cante
Ao ritmo do coração
Cantar é tão importante
Como a fartura de pão
Se o fado é voz de um povo
Que à vida pede mais vida
Haja fado, fado novo
Nesta terra renascida
E quem cantou a tristeza
Das noites amordaçadas
Seja arado da beleza
Destas novas madrugadas
Cantemos como crianças
A brincar num campo novo
Com gargalhadas de esperança
E um fado que saiba a povo
Repertório de Selma Fernandes
Haja fado e quem o cante
Ao ritmo do coração
Cantar é tão importante
Como a fartura de pão
Se o fado é voz de um povo
Que à vida pede mais vida
Haja fado, fado novo
Nesta terra renascida
E quem cantou a tristeza
Das noites amordaçadas
Seja arado da beleza
Destas novas madrugadas
Cantemos como crianças
A brincar num campo novo
Com gargalhadas de esperança
E um fado que saiba a povo
Menino do bibe negro
João Dias / Paco Bandeira
Repertório de António Mourão
Menino do Bibe Negro
Que pena será a tua
Para vestires tão de negro
Como uma noite sem lua
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Quem te roubou o balão
E destruiu o brinquedo
Vestindo-te o coração
Cor de noite, cor de medo
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Menino que não sorri
Não tem nome de criança
Se anda a fé morrendo em ti
Serás o luto da esperança
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Repertório de António Mourão
Menino do Bibe Negro
Que pena será a tua
Para vestires tão de negro
Como uma noite sem lua
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Quem te roubou o balão
E destruiu o brinquedo
Vestindo-te o coração
Cor de noite, cor de medo
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Menino que não sorri
Não tem nome de criança
Se anda a fé morrendo em ti
Serás o luto da esperança
Menino do bibe negro
Menino do bibe negro
Fado do ardina
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Em cada ardina, um gigante pequenino
Vai dominando o destino
P’ra que a sorte não desande
Todos iguais, olhar esperto como os ratos
Têm corpo de gaiatos
Mas têm a alma grande
Desde Belém ao Rato, ao Alto do Pina
Em toda a parte domina
O ardina, na verdade
Tinha que ser, que Lisboa é toda sua
Porque o ardina é da rua
Como a rua da cidade
Com pé ligeiro tudo corre de repente
Num pedacinho de gente
Há energia de mais
E quantas vezes, do seu trabalho do dia
Sai o pão, a alegria
Que põe na mesa dos pais
Rapaziada miúdos tão pequeninos
Que nunca foram meninos
Vão ouvir o nosso fado
Não pensem que Deus nos abandonou
A mão dele nos guiou
Nos passos que temos dado
Como um pardal saído há pouco do ninho
Parti um dia sozinho
Em casa nem um tostão
Quem me guiou em tanta volta que dei
Que não morri e voltei
Trazendo dinheiro p’ró pão
Com pouco mais do que três palmos de altura
Conhecendo a amargura
Dos desgostos que consomem
E da miséria que morava com os meus
Com a ajuda de Deus
Ganho a vida como um homem
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Em cada ardina, um gigante pequenino
Vai dominando o destino
P’ra que a sorte não desande
Todos iguais, olhar esperto como os ratos
Têm corpo de gaiatos
Mas têm a alma grande
Desde Belém ao Rato, ao Alto do Pina
Em toda a parte domina
O ardina, na verdade
Tinha que ser, que Lisboa é toda sua
Porque o ardina é da rua
Como a rua da cidade
Com pé ligeiro tudo corre de repente
Num pedacinho de gente
Há energia de mais
E quantas vezes, do seu trabalho do dia
Sai o pão, a alegria
Que põe na mesa dos pais
Rapaziada miúdos tão pequeninos
Que nunca foram meninos
Vão ouvir o nosso fado
Não pensem que Deus nos abandonou
A mão dele nos guiou
Nos passos que temos dado
Como um pardal saído há pouco do ninho
Parti um dia sozinho
Em casa nem um tostão
Quem me guiou em tanta volta que dei
Que não morri e voltei
Trazendo dinheiro p’ró pão
Com pouco mais do que três palmos de altura
Conhecendo a amargura
Dos desgostos que consomem
E da miséria que morava com os meus
Com a ajuda de Deus
Ganho a vida como um homem
Dádiva total
João Dias / Francisco Viana *fado vianinha*
Repertório de António José Monteiro
Em cada gesto de dar
Seja fruto, pão, ou verso
Sinto o corpo a resgatar
A cinza do meu regresso
E enquanto me souber
Alma e sangue em movimento
Hei-de dar-me a quem quiser
E ser dono do meu tempo
No espaço dos meus dois braços
Até ao fim dos meus dedos
Hão-de caber os abraços
De lavar manhãs e medos
Que o meu corpo seja escopro
De talhar verdades nuas
Que a minh’alma seja sopro
Presa de todas as luas
Com sonhos, velas ao vento
Vogando em qualquer mar
Dou asas ao pensamento
Em cada gesto de dar
Repertório de António José Monteiro
Em cada gesto de dar
Seja fruto, pão, ou verso
Sinto o corpo a resgatar
A cinza do meu regresso
E enquanto me souber
Alma e sangue em movimento
Hei-de dar-me a quem quiser
E ser dono do meu tempo
No espaço dos meus dois braços
Até ao fim dos meus dedos
Hão-de caber os abraços
De lavar manhãs e medos
Que o meu corpo seja escopro
De talhar verdades nuas
Que a minh’alma seja sopro
Presa de todas as luas
Com sonhos, velas ao vento
Vogando em qualquer mar
Dou asas ao pensamento
Em cada gesto de dar
O que faz falta
Letra e música de José Afonso
Repertório do autor
Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
Quando um cão te morde uma canela
O que faz falta
Quando à esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta
Repertório do autor
Quando a corja topa da janela
O que faz falta
Quando o pão que comes sabe a merda
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
Quando nunca a noite foi dormida
O que faz falta
Quando a raiva nunca foi vencida
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
Quando nunca a infância teve infância
O que faz falta
Quando sabes que vai haver dança
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
Quando um cão te morde uma canela
O que faz falta
Quando à esquina há sempre uma cabeça
O que faz falta
O que faz falta é animar a malta
O que faz falta
O que faz falta é empurrar a malta
O que faz falta
Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta
O que faz falta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta
Se o patrão não vai com duas loas
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder à malta
O que faz falta
O que faz falta
Se o fascista conspira na sombra
O que faz falta
O que faz falta é avisar a malta
O que faz falta
O que faz falta é dar poder à malta
O que faz falta
Fogueiras aquecidas
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fogueiras aquecidas
Com o calor do teu olhar
De chamas já ardidas
Não vale a pena recordar
É amor apagado
Feito de frio e cinzas só
Que o vento tem levado
E está no ar desfeito em pó
Foi o lume dos teus olhos, querida
Que acendeu na vida
A fogueira do nosso amor
Foi o frio do tempo que passou
Que extinguiu e roubou
À fogueira todo o calor
O tempo gravou as garras
Na carne das ilusões
E quebraram-se as amarras
Dos nossos dois corações
Foi sempre teu
Aquele amor que te jurei
Porque morreu, perdeu calor
É que não sei
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fogueiras aquecidas
Com o calor do teu olhar
De chamas já ardidas
Não vale a pena recordar
É amor apagado
Feito de frio e cinzas só
Que o vento tem levado
E está no ar desfeito em pó
Foi o lume dos teus olhos, querida
Que acendeu na vida
A fogueira do nosso amor
Foi o frio do tempo que passou
Que extinguiu e roubou
À fogueira todo o calor
O tempo gravou as garras
Na carne das ilusões
E quebraram-se as amarras
Dos nossos dois corações
Foi sempre teu
Aquele amor que te jurei
Porque morreu, perdeu calor
É que não sei
Vassalo do fado
João Dias / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de Alfredo Duarte Júnior
Eu sou vassalo do Fado
Paladino da saudade
Dei-lhe a alma e o coração
Aqui estou ajoelhado
P’ra servir a majestade
No reino da tradição
E p’ra defender o rei
Não tenho só esta voz
Que do peito se desgarra
Possuo as armas da lei
Deixadas por meus avós
A viola e a guitarra (A)
Fazem-se baixas cantigas
Dizendo que o meu patrono
Está prestes a abdicar
Isso porém, são intrigas
De pretendentes ao trono
Sem força p’ra governar
Faz-me rir certa gentalha
Que em confusa gritaria
Tenta impor estilo novo
Mas é do Fado a batalha
Enquanto houver poesia
Na alma do nosso povo
Na gravação o intérprete diz
*As violas e as guitarras*
Repertório de Alfredo Duarte Júnior
Eu sou vassalo do Fado
Paladino da saudade
Dei-lhe a alma e o coração
Aqui estou ajoelhado
P’ra servir a majestade
No reino da tradição
E p’ra defender o rei
Não tenho só esta voz
Que do peito se desgarra
Possuo as armas da lei
Deixadas por meus avós
A viola e a guitarra (A)
Fazem-se baixas cantigas
Dizendo que o meu patrono
Está prestes a abdicar
Isso porém, são intrigas
De pretendentes ao trono
Sem força p’ra governar
Faz-me rir certa gentalha
Que em confusa gritaria
Tenta impor estilo novo
Mas é do Fado a batalha
Enquanto houver poesia
Na alma do nosso povo
Na gravação o intérprete diz
*As violas e as guitarras*
Sericoté
João Dias / António Parreira
Repertório de Rodrigo
Sericoté é um bote
Orgulho do seu arrais
Por ser veloz e bonito
Não há outro que o derrote
E toda a malta do cais
Inveja o seu gabarito
A vela cheia e redonda
Leme seguro a rigor
Proa rasgando a maré
Na crista de cada onda
Mais parece um bailador
O bote Sericoté
Bolina, bolina, Sericoté
Carregadinho da proa à ré
Aguenta o leme, alarga a escota
P’rá malta da lota saber como é
Rude e certeira mão te conduz
És da Ribeira o ai-jesus
Pois não há bote com mais ralé
Do que este bote Sericoté
Conhece bons e maus ventos
Correntes e outros segredos
Que as águas do rio lhe contam
É fino de movimentos
Sabe todos os enredos
Das procelas que o afrontam
Conhece as lutas e rotas
Do pão que o seu arrais come
Repertório de Rodrigo
Sericoté é um bote
Orgulho do seu arrais
Por ser veloz e bonito
Não há outro que o derrote
E toda a malta do cais
Inveja o seu gabarito
A vela cheia e redonda
Leme seguro a rigor
Proa rasgando a maré
Na crista de cada onda
Mais parece um bailador
O bote Sericoté
Bolina, bolina, Sericoté
Carregadinho da proa à ré
Aguenta o leme, alarga a escota
P’rá malta da lota saber como é
Rude e certeira mão te conduz
És da Ribeira o ai-jesus
Pois não há bote com mais ralé
Do que este bote Sericoté
Conhece bons e maus ventos
Correntes e outros segredos
Que as águas do rio lhe contam
É fino de movimentos
Sabe todos os enredos
Das procelas que o afrontam
Conhece as lutas e rotas
Do pão que o seu arrais come
E às vezes tão duro é
Até as próprias gaivotas
Parecem cantar-lhe o nome
Até as próprias gaivotas
Parecem cantar-lhe o nome
Bom dia Sericoté
Quando Lisboa desperta
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando Lisboa desperta
No pregão duma varina
Há uma divina oferta
De sol em cada colina
Hoje o dia foi mais ledo
Despertou cerca das quatro
Quis despachar-se mais cedo
P’ra ir à noite ao teatro
De manhã, de manhãzinha
Fresquinha como uma alface
Acorda junto à Ribeira
O Tejo beija-lhe a face
E diz-lhe querida alfacinha
Minha eterna companheira
Vem ouvir a nossa gente
Cantar-te com voz amiga
Os versos duma cantiga
Que o mundo inteiro entoa
Uma cantiga p’rá frente
Anda, vem com a gente
P’rá frente Lisboa
Vai depois ouvir o Fado
Em Alfama, bem de ver
P’ra recordar o passado
Que recordar é viver
Quando Lisboa desperta
Há sempre um grito de vida
Em que o tempo se liberta
De cada noite perdida
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando Lisboa desperta
No pregão duma varina
Há uma divina oferta
De sol em cada colina
Hoje o dia foi mais ledo
Despertou cerca das quatro
Quis despachar-se mais cedo
P’ra ir à noite ao teatro
De manhã, de manhãzinha
Fresquinha como uma alface
Acorda junto à Ribeira
O Tejo beija-lhe a face
E diz-lhe querida alfacinha
Minha eterna companheira
Vem ouvir a nossa gente
Cantar-te com voz amiga
Os versos duma cantiga
Que o mundo inteiro entoa
Uma cantiga p’rá frente
Anda, vem com a gente
P’rá frente Lisboa
Vai depois ouvir o Fado
Em Alfama, bem de ver
P’ra recordar o passado
Que recordar é viver
Quando Lisboa desperta
Há sempre um grito de vida
Em que o tempo se liberta
De cada noite perdida
A loucura que me pedes
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Darei o peito ao mar, a alma ao vento
Às estrelas os meus sonhos de ventura
Mas eu hei-de teimar no meu intento
De conquistar para mim tua ternura;
Assim a minha vida tenha alento
Que chegue p’ra acabar esta aventura
A loucura que me pedes
P’ra esquecer o meu amor
É pedir ao fogo vivo
Que arda e não deite calor;
Não podes mandar no Sol
Nem no vento com certeza
Nem no amor que te tenho
São coisas da natureza
E podes crer
Às estrelas os meus sonhos de ventura
Mas eu hei-de teimar no meu intento
De conquistar para mim tua ternura;
Assim a minha vida tenha alento
Que chegue p’ra acabar esta aventura
A loucura que me pedes
P’ra esquecer o meu amor
É pedir ao fogo vivo
Que arda e não deite calor;
Não podes mandar no Sol
Nem no vento com certeza
Nem no amor que te tenho
São coisas da natureza
E podes crer
Que o meu amor é um desgosto
Porque não quero gostar de ti
Porque não quero gostar de ti
E sem querer gosto
Se o teu desprezo um dia me não mata
Nem me enlouquece tudo o que tens feito
Eu ainda hei-de rir-me de quem trata
O meu amor assim, sem nenhum jeito;
Quando eu acorrentar esse pirata
Que tens no lado esquerdo do teu peito
Se o teu desprezo um dia me não mata
Nem me enlouquece tudo o que tens feito
Eu ainda hei-de rir-me de quem trata
O meu amor assim, sem nenhum jeito;
Quando eu acorrentar esse pirata
Que tens no lado esquerdo do teu peito
Milho verde
Letra e música de José Afonso
Repertório do autor
Milho verde, milho verde
Milho verde maçaroca
À sombra do milho verde
Namorei uma cachopa
Milho verde, milho verde
Milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Namorei um rapazinho
Milho verde, milho verde
Milho verde folha larga
À sombra do milho verde
Namorei uma casada
Mondadeiras do meu milho
Mondai o meu milho bem
Não olhais para o caminho
Que a merenda já lá vem
Repertório do autor
Milho verde, milho verde
Milho verde maçaroca
À sombra do milho verde
Namorei uma cachopa
Milho verde, milho verde
Milho verde miudinho
À sombra do milho verde
Namorei um rapazinho
Milho verde, milho verde
Milho verde folha larga
À sombra do milho verde
Namorei uma casada
Mondadeiras do meu milho
Mondai o meu milho bem
Não olhais para o caminho
Que a merenda já lá vem
Senhora do mar
Carlos Coelho / Andrej Babie
Repertório de Vânia Fernandes
Canção concorrente à Eurovisão 2088
Senhora do mar
Ante vós me tendes caída
Quem vem tirar meia da vida e da paz
Desta mesa, desta casa, perdidas
Amor, que é de ti?
Senhora do mar
Ante vós, minha alma está vazia
Quem vem chamar a si o que é meu?
Ó mar alto, traz p’ra mim
Amor meu sem fim
Ai negras águas, ondas de mágoas
Gelaram-me o fogo no olhar
Senhora do mar
Ele não torna a navegar
E ninguém vos vê chorar
Senhora do mar
Ai negras águas, ondas de mágoas
Gelaram-me o fogo no olhar
Senhora do mar
Feridas em sal, rezas em vão
Deixai seu coração
Bater junto a mim
Repertório de Vânia Fernandes
Canção concorrente à Eurovisão 2088
Senhora do mar
Ante vós me tendes caída
Quem vem tirar meia da vida e da paz
Desta mesa, desta casa, perdidas
Amor, que é de ti?
Senhora do mar
Ante vós, minha alma está vazia
Quem vem chamar a si o que é meu?
Ó mar alto, traz p’ra mim
Amor meu sem fim
Ai negras águas, ondas de mágoas
Gelaram-me o fogo no olhar
Senhora do mar
Ele não torna a navegar
E ninguém vos vê chorar
Senhora do mar
Ai negras águas, ondas de mágoas
Gelaram-me o fogo no olhar
Senhora do mar
Feridas em sal, rezas em vão
Deixai seu coração
Bater junto a mim
O Infante D. Henrique
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Em seu trono entre o brilho das esferas
Com seu manto de noite e solidão
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras
O único imperador que tem, deveras
O globo mundo em sua mão
Repertório de João Braga
Em seu trono entre o brilho das esferas
Com seu manto de noite e solidão
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras
O único imperador que tem, deveras
O globo mundo em sua mão
Maria tristeza
José Guimarães / José Maria Antunes
Repertório de Ricardo Barreto
Olhe aquela rosa
Que ninguém olha no chão
Olhe aquela nuvem
Que ninguém olha no céu
Olhe aquele gesto
Que é ternura em sua mão
Olhe aquele beijo
Que nunca ninguém lhe deu
Repertório de Ricardo Barreto
Olhe aquela rosa
Que ninguém olha no chão
Olhe aquela nuvem
Que ninguém olha no céu
Olhe aquele gesto
Que é ternura em sua mão
Olhe aquele beijo
Que nunca ninguém lhe deu
Deixe lá, sorria
Deixe lá, que tem?
Que depois dum dia
Outro dia vem
Deixe lá, sorria
E cante a beleza
Não sejas, Maria
Maria tristeza
Olhe aquela noite
Veja as estrelas brilhar
Olhe aquele sol
Que é de todos e ninguém
Olhe aquela rua
Veja um sonho em cada olhar
Olhe bem p'ra si
E venha sonhar também
Deixe lá, que tem?
Que depois dum dia
Outro dia vem
Deixe lá, sorria
E cante a beleza
Não sejas, Maria
Maria tristeza
Olhe aquela noite
Veja as estrelas brilhar
Olhe aquele sol
Que é de todos e ninguém
Olhe aquela rua
Veja um sonho em cada olhar
Olhe bem p'ra si
E venha sonhar também
O sal da vida
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Buscarei sempre, sempre o sal da vida
Procurando a verdade além do espanto
De sentir uma criança adormecida
Despertando-me na voz sempre que canto
E enredado nos meus braços estendidos
O respirar de todas as aragens
A percorrer-me os sonhos e os sentidos
Corpo e alma de todas as viagens
O sol acorda em mim às gargalhadas
E em vento me confunde o amor às velas
Os rumos são as grandes madrugadas
A desvendar o ventre das estrelas
E se antes de ser fruto fui semente
Anúncio de seara prometida
Que me reparta em pão por toda a gente
Dando-me totalmente ao sal da vida
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Buscarei sempre, sempre o sal da vida
Procurando a verdade além do espanto
De sentir uma criança adormecida
Despertando-me na voz sempre que canto
E enredado nos meus braços estendidos
O respirar de todas as aragens
A percorrer-me os sonhos e os sentidos
Corpo e alma de todas as viagens
O sol acorda em mim às gargalhadas
E em vento me confunde o amor às velas
Os rumos são as grandes madrugadas
A desvendar o ventre das estrelas
E se antes de ser fruto fui semente
Anúncio de seara prometida
Que me reparta em pão por toda a gente
Dando-me totalmente ao sal da vida
Venham mais cinco
Letra e música de José Afonso
Repertório do autor
Venham mais cinco
Duma assentada que eu pago já
Do branco ao tinto
Se o velho estica, eu fico por cá
Se tem má pinta
Dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada na cinta
Já crê que é rei de quem é de além-mar
Não me obriguem
Repertório do autor
Venham mais cinco
Duma assentada que eu pago já
Do branco ao tinto
Se o velho estica, eu fico por cá
Se tem má pinta
Dá-lhe um apito e põe-no a andar
De espada na cinta
Já crê que é rei de quem é de além-mar
Não me obriguem
A vir para a rua gritar
Que é já tempo
Que é já tempo
De embalar a trouxa e zarpar
A gente ajuda
Havemos de ser mais, eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo o que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar pros filhos da mãe
Bem me diziam
Bem me avisavam como era a lei
Na minha terra
Quem trepa no coqueiro é o rei
A bucha é dura
Mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar pros filhos da mãe
A gente ajuda
Havemos de ser mais, eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo o que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar pros filhos da mãe
Bem me diziam
Bem me avisavam como era a lei
Na minha terra
Quem trepa no coqueiro é o rei
A bucha é dura
Mais dura é a razão que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar pros filhos da mãe
D. Sebastião
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Que importa
O areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É o que eu me sonhei
Que eterno dura
É esse que regressarei
Repertório de João Braga
Que importa
O areal e a morte e a desventura
Se com Deus me guardei?
É o que eu me sonhei
Que eterno dura
É esse que regressarei
Velhos amantes
Rosa Lobato Faria / Jacques Brel
Repertório de Mísia
Amor que grita, amor que cala
Amor que ri, amor que chora
Mil vezes eu peguei na mala
Mil vezes tu te foste embora
E tanto barco a ir ao fundo
Tornava o mar da nossa casa
Em oceano de loucura
Quando oscilava o nosso mundo
Eu perdia o golpe de asa
E tu o gosto da aventura
Ai meu amor
Meu doce, terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior
Amor demais, amor eterno
Conheço bem os teus desejos
E tu as minhas fantasias
Morreste em mim todos os beijos
Nasci em ti todos os dias
Se muita vez fomos traição
E muita vez mudou o vento
E muito gesto foi insulto
Em tanta dor de mão-em-mão
Nós aprendemos o talento
De envelhecer sem ser adultos
E quanto mais o tempo passa
E quanto mais a vida flui
Quanto mais se perde a graça
Do que tu foste e da que eu fui
Mais a ternura nos aperta
Mais a palavra fica certa
Mais o amor toma lugar
Envelhecemos mais depressa
Mas nos teus olhos a promessa
Vai-se cumprindo devagar
Repertório de Mísia
Amor que grita, amor que cala
Amor que ri, amor que chora
Mil vezes eu peguei na mala
Mil vezes tu te foste embora
E tanto barco a ir ao fundo
Tornava o mar da nossa casa
Em oceano de loucura
Quando oscilava o nosso mundo
Eu perdia o golpe de asa
E tu o gosto da aventura
Ai meu amor
Meu doce, terno e deslumbrante amor
Amor à chuva, amor em sol maior
Amor demais, amor eterno
Conheço bem os teus desejos
E tu as minhas fantasias
Morreste em mim todos os beijos
Nasci em ti todos os dias
Se muita vez fomos traição
E muita vez mudou o vento
E muito gesto foi insulto
Em tanta dor de mão-em-mão
Nós aprendemos o talento
De envelhecer sem ser adultos
E quanto mais o tempo passa
E quanto mais a vida flui
Quanto mais se perde a graça
Do que tu foste e da que eu fui
Mais a ternura nos aperta
Mais a palavra fica certa
Mais o amor toma lugar
Envelhecemos mais depressa
Mas nos teus olhos a promessa
Vai-se cumprindo devagar
A minha alma não morreu
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando eu morrer, só matéria
Irá no meu ataúde
Porque a alma fica viva
Nos sonhos da juventude
Só me levarão p’rá cova
Lama, ossos, nervos, pele
Corpo feito, todo ele
P’ra novamente ser terra
Mas ninguém pode enterrar
As cantigas que cantei
Nem os versos que sonhei
Pois esses ninguém enterra
Passadas dezenas de anos
Quem cantar um fado meu
Mostrará a quem ouvir
Que a minh’alma não morreu
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Quando eu morrer, só matéria
Irá no meu ataúde
Porque a alma fica viva
Nos sonhos da juventude
Só me levarão p’rá cova
Lama, ossos, nervos, pele
Corpo feito, todo ele
P’ra novamente ser terra
Mas ninguém pode enterrar
As cantigas que cantei
Nem os versos que sonhei
Pois esses ninguém enterra
Passadas dezenas de anos
Quem cantar um fado meu
Mostrará a quem ouvir
Que a minh’alma não morreu
Cidade cinzenta
João Dias / Henrique Lourenço *fado cigana*
Repertório de Carlos do Carmo
Cidade finges não ver
Do outro lado da vida
A pobreza envergonhada
Tuas rugas, certas ruas
Com crianças semi-nuas
Perdidas na madrugada
Ouve, ó cidade moderna
Os irados na taberna
Com o sangue envenenado
Cuspindo pragas e gritos
Cantando em fados malditos
A raiva do próprio fado
Tu finges não ver, cidade
As tristezas doutra idade
Nos bairros de pouco riso
Onde em gavetas secretas
Homens, meninos, poetas
Sofrem poemas de aviso
Repertório de Carlos do Carmo
Cidade finges não ver
Do outro lado da vida
A pobreza envergonhada
Tuas rugas, certas ruas
Com crianças semi-nuas
Perdidas na madrugada
Ouve, ó cidade moderna
Os irados na taberna
Com o sangue envenenado
Cuspindo pragas e gritos
Cantando em fados malditos
A raiva do próprio fado
Tu finges não ver, cidade
As tristezas doutra idade
Nos bairros de pouco riso
Onde em gavetas secretas
Homens, meninos, poetas
Sofrem poemas de aviso
António Vieira
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
O céu estrela o azul e tem grandeza
Deste, que teve a fama e a glória tem
Imperador da língua portuguesa
Foi-nos um céu também
No imenso espaço seu de meditar
Constelado de forma e de visão
Surge, prenúncio claro do luar
El-Rei D. Sebastião
Mas não, não é luar, é luz do etéreo
É um dia; e no céu amplo de desejo
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo
Repertório de João Braga
O céu estrela o azul e tem grandeza
Deste, que teve a fama e a glória tem
Imperador da língua portuguesa
Foi-nos um céu também
No imenso espaço seu de meditar
Constelado de forma e de visão
Surge, prenúncio claro do luar
El-Rei D. Sebastião
Mas não, não é luar, é luz do etéreo
É um dia; e no céu amplo de desejo
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo
Ai este mundo fechado
*Tempo de angústia*
João Dias / Daniel Martins *fado da saudade*
Repertório de Maria Armanda
A 4ª estrofe não foi gravada
Ai este mundo fechado
Mosca tonta na vidraça
Algema negra dum fado
Que toda, toda me enlaça;
Quem nasceu está condenado
A ser da morte negaça
Ai ondas de crista irada
Em que o meu barco navega
Ai minh’alma naufragada
No mar da noite mais cega;
Ai garganta amordaçada
Onde nenhum grito chega
Minha mágoa é não saber
Donde vim e onde vou
Desgosto é não entender
Este lugar onde estou;
No jogo deste viver
Só minha mãe apostou
Aves cinzentas sem voz
Sob um céu da mesma cor
Quem vai ter pena de nós
Tão pobrezinhos de amor;
Cada vez andam mais sós
Os que nascem sem favor
João Dias / Daniel Martins *fado da saudade*
Repertório de Maria Armanda
A 4ª estrofe não foi gravada
Ai este mundo fechado
Mosca tonta na vidraça
Algema negra dum fado
Que toda, toda me enlaça;
Quem nasceu está condenado
A ser da morte negaça
Ai ondas de crista irada
Em que o meu barco navega
Ai minh’alma naufragada
No mar da noite mais cega;
Ai garganta amordaçada
Onde nenhum grito chega
Minha mágoa é não saber
Donde vim e onde vou
Desgosto é não entender
Este lugar onde estou;
No jogo deste viver
Só minha mãe apostou
Aves cinzentas sem voz
Sob um céu da mesma cor
Quem vai ter pena de nós
Tão pobrezinhos de amor;
Cada vez andam mais sós
Os que nascem sem favor
Meu fado não é teu fado
Carlos Coelho / Casimiro Ramos *fado três bairros*
Repertório de Carlos Coelho
Quando olho o meu passado
Estando ainda a teu lado
Sem nunca deixar de amar
Que se passou meu amor?
P´ra sofrermos esta dor
Como um barco a naufragar
Por tudo o que já tivemos
Grande amor que nós vivemos
Com vontade e com razão
Agora sinto um vazio
Teu coração está frio
E não mais demos a mão
Quando sinto essa saudade
Daquela felicidade
Que tanto me fez sofrer
Ao cantar amargurado
Meu fado não é teu fado
Teu querer não é meu querer
Então o meu pensamento
Fica preso a este lamento
Por não saber onde vais
Foi a vida que traiu
O sonho que nos fugiu
Repertório de Carlos Coelho
Quando olho o meu passado
Estando ainda a teu lado
Sem nunca deixar de amar
Que se passou meu amor?
P´ra sofrermos esta dor
Como um barco a naufragar
Por tudo o que já tivemos
Grande amor que nós vivemos
Com vontade e com razão
Agora sinto um vazio
Teu coração está frio
E não mais demos a mão
Quando sinto essa saudade
Daquela felicidade
Que tanto me fez sofrer
Ao cantar amargurado
Meu fado não é teu fado
Teu querer não é meu querer
Então o meu pensamento
Fica preso a este lamento
Por não saber onde vais
Foi a vida que traiu
O sonho que nos fugiu
E agora é tarde demais
Povo é gente em movimento
Letra de João Dias
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Levanta os olhos do chão
Povo é gente em movimento
Ouve esta voz meu irmão
Que vem no rumor do vento
Pastor descido da serra
Dos sete mares pioneiro
Arado rasgando a terra
De novas terras gajeiro
Levanta os olhos do chão
Velho tronco novos ramos
Que a flor da tua razão
Enfeite o chão onde estamos
No tear do tempo enorme
Tece um grito de amanhã
Nada conquista quem dorme
Gente minha, minha irmã
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Levanta os olhos do chão
Povo é gente em movimento
Ouve esta voz meu irmão
Que vem no rumor do vento
Pastor descido da serra
Dos sete mares pioneiro
Arado rasgando a terra
De novas terras gajeiro
Levanta os olhos do chão
Velho tronco novos ramos
Que a flor da tua razão
Enfeite o chão onde estamos
No tear do tempo enorme
Tece um grito de amanhã
Nada conquista quem dorme
Gente minha, minha irmã
D. Afonso Henriques
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Pai, foste cavaleiro
Hoje a vigília é nossa
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força
Dá, contra a hora em que, errada
Novos infiéis vençam
A bênção como espada
A espada como bênção
Repertório de João Braga
Pai, foste cavaleiro
Hoje a vigília é nossa
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força
Dá, contra a hora em que, errada
Novos infiéis vençam
A bênção como espada
A espada como bênção
Fogo preso
Vasco Graça Moura / Fontes Rocha
Repertório de Mísia
Quando se ateia em nós um fogo preso
O corpo a corpo em que ele vai girando
Faz o meu corpo arder no teu, aceso
E nos calcina e assim nos vai matando
Essa luz repentina até perder alento
E então é quando a sombra se ilumina
E é tudo esquecimento
Tão violento e brando
Sacode a luz o nosso ser surpreso
E devastados, nós vamos a seu mando
Nessa prisão o mundo perde o peso
E em fogo preso à noite as chamas vão pairando
E vão se libertando, fogo e contentamento
A revoar num bando de beijos tão sem tento
Que perdem o comando
Do próprio esquecimento
Repertório de Mísia
Quando se ateia em nós um fogo preso
O corpo a corpo em que ele vai girando
Faz o meu corpo arder no teu, aceso
E nos calcina e assim nos vai matando
Essa luz repentina até perder alento
E então é quando a sombra se ilumina
E é tudo esquecimento
Tão violento e brando
Sacode a luz o nosso ser surpreso
E devastados, nós vamos a seu mando
Nessa prisão o mundo perde o peso
E em fogo preso à noite as chamas vão pairando
E vão se libertando, fogo e contentamento
A revoar num bando de beijos tão sem tento
Que perdem o comando
Do próprio esquecimento
O poeta e o mar
José Guimarães / Redes Cruz
Repertório de Rosita
Como cantar-te, ó mar, se tu já és
Repertório de Rosita
Como cantar-te, ó mar, se tu já és
A musa do poeta português
Poetas, universo em movimento
Deram do mar o sal da fantasia
Ai, quantos, na centelha de um momento
Da tempestade, fizeram poesia
Ai, quantos, num rochedo a meditar
Fizeram lendas da verdade que há no mar
Ai, quantos, escreveram epopeias
Cantando histórias de naufrágios e sereias
Ai, quantos em navios, embarcados
Cantaram mares dantes navegados
Ai quantos exaltaram tanta vez
Toda a grandeza deste mar, mas português
Castelo de vento com tecto de breu
Feliz casamento entre mar e céu
Rosário de velas que o vento desfia
E à noite, as estrelas são pingos do dia
Em versos dispersos minha voz entoa
Na força dos versos que escreveu Pessoa
Ó mar salgado
Quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal
Poetas, universo em movimento
Deram do mar o sal da fantasia
Ai, quantos, na centelha de um momento
Da tempestade, fizeram poesia
Ai, quantos, num rochedo a meditar
Fizeram lendas da verdade que há no mar
Ai, quantos, escreveram epopeias
Cantando histórias de naufrágios e sereias
Ai, quantos em navios, embarcados
Cantaram mares dantes navegados
Ai quantos exaltaram tanta vez
Toda a grandeza deste mar, mas português
Castelo de vento com tecto de breu
Feliz casamento entre mar e céu
Rosário de velas que o vento desfia
E à noite, as estrelas são pingos do dia
Em versos dispersos minha voz entoa
Na força dos versos que escreveu Pessoa
Ó mar salgado
Quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal
Viriato
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu
Vivemos raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu
Nação porque reencarnaste
Povo porque ressuscitou
Ou tu, de que eras a haste
Assim se Portugal formou
Teu ser é como aquela fria luz
Que precede a madrugada
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada
Repertório de João Braga
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu
Vivemos raça, porque houvesse
Memória em nós do instinto teu
Nação porque reencarnaste
Povo porque ressuscitou
Ou tu, de que eras a haste
Assim se Portugal formou
Teu ser é como aquela fria luz
Que precede a madrugada
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada
A mais linda mulher
Direitos reservados / Alfredo Duarte *Marceneiro*
Repertório de Júlio Peres
Fez-te linda a natureza
Não te deu um só defeito
És um supremo primor
Só não te pôs, que tristeza
Coração dentro do peito
Para sentir o amor
Quando se gosta de alguém
E esse alguém, do mesmo jeito
Nos quer com amor profundo
A gente julga que tem
No cofre do nosso peito
Toda a riqueza do mundo
Há no mundo quem aponte
E se ria da má sina
De uma mulher quando cai
Corre água limpa na fonte
Nasce pura e cristalina
Quem a suja é que lá vai
Há quem procure saber
Qual é a mulher mais bela
De formas esculturais
A mais formosa mulher
A mais linda, é sempre aquela
De quem nós gostamos mais
Repertório de Júlio Peres
Fez-te linda a natureza
Não te deu um só defeito
És um supremo primor
Só não te pôs, que tristeza
Coração dentro do peito
Para sentir o amor
Quando se gosta de alguém
E esse alguém, do mesmo jeito
Nos quer com amor profundo
A gente julga que tem
No cofre do nosso peito
Toda a riqueza do mundo
Há no mundo quem aponte
E se ria da má sina
De uma mulher quando cai
Corre água limpa na fonte
Nasce pura e cristalina
Quem a suja é que lá vai
Há quem procure saber
Qual é a mulher mais bela
De formas esculturais
A mais formosa mulher
A mais linda, é sempre aquela
De quem nós gostamos mais
Maio, maduro maio
Letra e música de José Afonso
Repertório do autor
Maio, maduro maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto nunca te amou
Raiava o sol já no sul
E uma falua vinha lá de Istambul
Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa, maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava ao longe a varar
Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Que importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça, vamos lutar
Numa rua comprida, el-rei pastor
Repertório do autor
Maio, maduro maio, quem te pintou
Quem te quebrou o encanto nunca te amou
Raiava o sol já no sul
E uma falua vinha lá de Istambul
Sempre depois da sesta chamando as flores
Era o dia da festa, maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava ao longe a varar
Maio com meu amigo quem dera já
Sempre no mês do trigo se cantará
Que importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça, vamos lutar
Numa rua comprida, el-rei pastor
Vende o soro da vida que mata a dor
Anda ver, maio nasceu
Que a voz não te esmoreça, a turba rompeu
Anda ver, maio nasceu
Que a voz não te esmoreça, a turba rompeu
Partir
Letra de José Guimarães
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Partir nem sempre é tristeza
Partir nem sempre é chorar
Partir nem sempre é certeza
De que os ventos vão mudar;
Partir é sonhar riqueza
Partir é pão procurar
Partir é sentir esperança
Partir é levar amor
Partir é deixar saudade
E levar consigo a dor
E aos que partem muitas vezes
P'ra fugir aos desenganos
Os dias parecem meses
Os meses parecem anos
Nascer é partir prá vida
Que nos leva de fugida
Para os caminhos da sorte
Porque viver esta vida;
É um ponto de partida
Para o caminho da morte
Partir, chegar
Dois extremos que se tocam
Difíceis de se encontrar
E que por vezes se chocam
O partir pode ser noite
Pode ser uma alvorada
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Partir nem sempre é tristeza
Partir nem sempre é chorar
Partir nem sempre é certeza
De que os ventos vão mudar;
Partir é sonhar riqueza
Partir é pão procurar
Partir é sentir esperança
Partir é levar amor
Partir é deixar saudade
E levar consigo a dor
E aos que partem muitas vezes
P'ra fugir aos desenganos
Os dias parecem meses
Os meses parecem anos
Nascer é partir prá vida
Que nos leva de fugida
Para os caminhos da sorte
Porque viver esta vida;
É um ponto de partida
Para o caminho da morte
Partir, chegar
Dois extremos que se tocam
Difíceis de se encontrar
E que por vezes se chocam
O partir pode ser noite
Pode ser uma alvorada
Nevoeiro
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer;
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Ninguém sabe que coisa quer
Ninguém conhece que alma tem
Nem o que é mal nem o que é bem
Que ânsia distante perto chora
Tudo é incerto e derradeiro
Tudo é disperso, nada é inteiro
Ó Portugal, hoje és nevoeiro
É a hora
Repertório de João Braga
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer;
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra
Ninguém sabe que coisa quer
Ninguém conhece que alma tem
Nem o que é mal nem o que é bem
Que ânsia distante perto chora
Tudo é incerto e derradeiro
Tudo é disperso, nada é inteiro
Ó Portugal, hoje és nevoeiro
É a hora
Cantigas do maio
José Afonso (sobre um refrão popular)
Repertório de Zeca Afonso
Eu fui ver a minha amada
Lá prós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
Lá prós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal
Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu, ai Deus mo levou
Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir
Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelho
Para de mim se encantar
Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender
Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não
Repertório de Zeca Afonso
Eu fui ver a minha amada
Lá prós baixos dum jardim
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
Lá prós lados dum passal
Dei-lhe o meu lenço de linho
Que é do mais fino bragal
Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu, ai Deus mo levou
Eu fui ver uma donzela
Numa barquinha a dormir
Dei-lhe uma colcha de seda
Para nela se cobrir
Eu fui ver uma solteira
Numa salinha a fiar
Dei-lhe uma rosa vermelho
Para de mim se encantar
Eu fui ver a minha amada
Lá nos campos eu fui ver
Dei-lhe uma rosa encarnada
Para de mim se prender
Verdes prados, verdes campos
Onde está minha paixão
As andorinhas não param
Umas voltam outras não
Nunca mais voltes aqui
Carlos Coelho / Joaquim Campos *fado puxavante*
Repertório de Carlos Coelho
Nunca mais voltes aqui
Ao lugar aonde estou
Meu coração era livre
Veio p’ró fado e fico
Há quem diga que é loucura
Esta minha decisão
Mas o fado é aminha vida
E alegra o meu coração
Não quero sentir saudade
Do que para trás ficou
Mas digo-te com verdade
Que o meu amor não findou
Não sei o que sentes agora
De tristeza ou felicidade
Mas se o teu coração chora
Deixa que chore à vontade
Também um dia chorei
Porque o destino assim quis
Vim para o fado e fiquei
Vivo, canto e sou feliz
Repertório de Carlos Coelho
Nunca mais voltes aqui
Ao lugar aonde estou
Meu coração era livre
Veio p’ró fado e fico
Há quem diga que é loucura
Esta minha decisão
Mas o fado é aminha vida
E alegra o meu coração
Não quero sentir saudade
Do que para trás ficou
Mas digo-te com verdade
Que o meu amor não findou
Não sei o que sentes agora
De tristeza ou felicidade
Mas se o teu coração chora
Deixa que chore à vontade
Também um dia chorei
Porque o destino assim quis
Vim para o fado e fiquei
Vivo, canto e sou feliz
Abdicação
Fernando Pessoa / Paco Bandeira
Repertório de Paco Bandeira
Toma-me ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho, eu sou um rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços
Minha espada, pesada a braços lassos
Em mão viris e calmas entreguei
E meu cetro e coroa, eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil
Minhas esporas de um tinir tão fútil
Deixei-as pela fria escadaria
Despi a realeza, corpo e alma
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia
Repertório de Paco Bandeira
Toma-me ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho, eu sou um rei
Que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços
Minha espada, pesada a braços lassos
Em mão viris e calmas entreguei
E meu cetro e coroa, eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil
Minhas esporas de um tinir tão fútil
Deixei-as pela fria escadaria
Despi a realeza, corpo e alma
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia
D. Diniz
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Na noite escreve um seu *Cantar de Amigo*
O plantador de naus a haver
E ouve um silêncio múrmuro consigo
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver
Arroio, esse cantar, jovem e puro
Busca o oceano por achar
E a fala dos pinhais, marulho obscuro
É o som presente desse mar futuro
É a voz da terra ansiando pelo mar
Repertório de João Braga
Na noite escreve um seu *Cantar de Amigo*
O plantador de naus a haver
E ouve um silêncio múrmuro consigo
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver
Arroio, esse cantar, jovem e puro
Busca o oceano por achar
E a fala dos pinhais, marulho obscuro
É o som presente desse mar futuro
É a voz da terra ansiando pelo mar
Última prece
Letra de Carlos Conde
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tive uma filha, morreu
Deus levou-ma, fez-me guerra
Pôs uma estrela no céu
E uma saudade na terra
E à noite, que maravilha
Em meus sonhos ideais
Vejo sempre a minha filha
Na estrela que brilha mais
Ai, como eu tenho sonhado
Com a luz daquela estrela
Sonho com ela acordado,
E a dormir sonho com ela
Já que tal dor me impuseste
Ó Deus que me torturaste
Dou-te a vida que me deste
P'la filha que me roubaste
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Tive uma filha, morreu
Deus levou-ma, fez-me guerra
Pôs uma estrela no céu
E uma saudade na terra
E à noite, que maravilha
Em meus sonhos ideais
Vejo sempre a minha filha
Na estrela que brilha mais
Ai, como eu tenho sonhado
Com a luz daquela estrela
Sonho com ela acordado,
E a dormir sonho com ela
Já que tal dor me impuseste
Ó Deus que me torturaste
Dou-te a vida que me deste
P'la filha que me roubaste
Amor a Lisboa
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Se aquelas pedras velhinhas
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Se aquelas pedras velhinhas
Da minha Lisboa
Fossem compreendidas
Fossem compreendidas
Por quem pisa o chão
Havia na alma de cada pessoa
Amor a Lisboa
Havia na alma de cada pessoa
Amor a Lisboa
Mais que amor… paixão
Há pedras a recitar versos pelas ruas
Largos aonde é primavera a rir
Janelas estreitinhas e tão pequeninas
Que até o amor não pode fugir
Cada momento
Desde os tempos que lá vão
Deixou na pedra a sua recordação
Poetas, é bem nossa esta missão
Cantar a vida das pedras
Que há pedras com coração
Há sempre muitas escadinhas
Há pedras a recitar versos pelas ruas
Largos aonde é primavera a rir
Janelas estreitinhas e tão pequeninas
Que até o amor não pode fugir
Cada momento
Desde os tempos que lá vão
Deixou na pedra a sua recordação
Poetas, é bem nossa esta missão
Cantar a vida das pedras
Que há pedras com coração
Há sempre muitas escadinhas
Pelos bairros velhos
Pedras de sobe e desce a brincar à lua
E há tantos cestos de cravos vermelhos
Que fazem jardins ali pela rua
Há tanta, tanta beleza a entrar na vista
Nos degraus já gastos duma calçadinha
Mas só s poetas e algum artista
Entendem a fala das pedras velhinhas
Pedras de sobe e desce a brincar à lua
E há tantos cestos de cravos vermelhos
Que fazem jardins ali pela rua
Há tanta, tanta beleza a entrar na vista
Nos degraus já gastos duma calçadinha
Mas só s poetas e algum artista
Entendem a fala das pedras velhinhas
Padrão
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
O esforço é grande, o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei
A alma é divina e a obra é imperfeita
Este padrão sinal ao vento e aos céus
Que da obra ousada, é minha a parte feita
O por fazer é só com Deus
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês
Que o mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português
E a Cruz ao alto
Diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar
Repertório de João Braga
O esforço é grande, o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei
A alma é divina e a obra é imperfeita
Este padrão sinal ao vento e aos céus
Que da obra ousada, é minha a parte feita
O por fazer é só com Deus
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas quinas, que aqui vês
Que o mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português
E a Cruz ao alto
Diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar
Teus olhos verdes
Carlos Coelho / Francisco Viana *fado vianinha*
Repertório de Carlos Coelho
Teus olhos verdes, esperança
Tão verdes da cor do mar
Que o meu olhar não se cansa
De olhar para o teu olhar
Teus olhos verdes são rios
Onde eu quero navegar
Tão serenos, luzidios
P’ró meu olhar repousar
Teus olhos verdes, verdade
São cura p’rá minha dor
Por ver tanta felicidade
No teu olhar, meu amor
Que essa luz nunca se acabe
Nesse teu verde sem fim
Ai se a perco, nem Deus sabe
Depois que será de mim
Repertório de Carlos Coelho
Teus olhos verdes, esperança
Tão verdes da cor do mar
Que o meu olhar não se cansa
De olhar para o teu olhar
Teus olhos verdes são rios
Onde eu quero navegar
Tão serenos, luzidios
P’ró meu olhar repousar
Teus olhos verdes, verdade
São cura p’rá minha dor
Por ver tanta felicidade
No teu olhar, meu amor
Que essa luz nunca se acabe
Nesse teu verde sem fim
Ai se a perco, nem Deus sabe
Depois que será de mim
Chamavam-lhe a Francesinha
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Contou-me um amigo há dias
E ao contá-lo, chorava
Duma pequena que teve
Que era a cabeça mais leve
Era assim que ele contava
Foi na Praça da Figueira
Num baile de cavalinho
Ela tinha um garrafão
De tinto e a meio tostão
Vendia copos de vinho
Também assava as sardinhas
Que vendia à freguesia
Eu ao ver tanta beleza
Nem tinha bem a certeza
De ser verdade o que via
Chamavam-lhe a francesinha
E ela não se importava
Porque p’raqui e p’rali
Dizia sempre merci
A quem a cumprimentava
Cheguei ao balcão, dizia
Conversámos e depois
Ela pulou o balcão
E no meio da confusão
Deixámos o baile os dois
Na cara, contava ele
Fazia duas covinhas
Num sorriso tão gaiato
Que mais parecia um regato
A brincar pelas pedrinhas
Um dia sem mais nem mais
Abalou, foi p’ra Paris
Escreveu-me que resolvera
Que naquela Primavera
Poria os pontos nos is
Tinha aparecido um qualquer
Dizendo casar com ela
Correra atrás dos enganos
O tempo já levou anos
Mas eu não m’esqueço dela
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Contou-me um amigo há dias
E ao contá-lo, chorava
Duma pequena que teve
Que era a cabeça mais leve
Era assim que ele contava
Foi na Praça da Figueira
Num baile de cavalinho
Ela tinha um garrafão
De tinto e a meio tostão
Vendia copos de vinho
Também assava as sardinhas
Que vendia à freguesia
Eu ao ver tanta beleza
Nem tinha bem a certeza
De ser verdade o que via
Chamavam-lhe a francesinha
E ela não se importava
Porque p’raqui e p’rali
Dizia sempre merci
A quem a cumprimentava
Cheguei ao balcão, dizia
Conversámos e depois
Ela pulou o balcão
E no meio da confusão
Deixámos o baile os dois
Na cara, contava ele
Fazia duas covinhas
Num sorriso tão gaiato
Que mais parecia um regato
A brincar pelas pedrinhas
Um dia sem mais nem mais
Abalou, foi p’ra Paris
Escreveu-me que resolvera
Que naquela Primavera
Poria os pontos nos is
Tinha aparecido um qualquer
Dizendo casar com ela
Correra atrás dos enganos
O tempo já levou anos
Mas eu não m’esqueço dela
Escrevo meu livro à beira-mágoa
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Escrevo meu livro à beira-mágoa
Meu coração não tem que ter
Tenho meus olhos quentes de água
Só tu, Senhor, me dás viver
Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura
Mas quando quererás voltar?
Quando é o rei?
Quando é a hora?
Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus
E a despertar do mal que existo
A nova terra e os novos céus?
Quando virás, ó encoberto
Sonho das eras português
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez
Ah, quando quererás, voltando
Fazer minha esperança amor
Da névoa e da saudade quando
Quando meu sonho e meu Senhor
Repertório de João Braga
Escrevo meu livro à beira-mágoa
Meu coração não tem que ter
Tenho meus olhos quentes de água
Só tu, Senhor, me dás viver
Só te sentir e te pensar
Meus dias vácuos enche e doura
Mas quando quererás voltar?
Quando é o rei?
Quando é a hora?
Quando virás a ser o Cristo
De a quem morreu o falso Deus
E a despertar do mal que existo
A nova terra e os novos céus?
Quando virás, ó encoberto
Sonho das eras português
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez
Ah, quando quererás, voltando
Fazer minha esperança amor
Da névoa e da saudade quando
Quando meu sonho e meu Senhor
Viver por viver
Letra de José Guimarães
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Sem preconceitos nem regras
Vive o que a vida te deu
E segue sempre o teu trilho
Para além das nuvens negras
Continua azul o céu
E o sol mantém o seu brilho
Em tudo quanto te contem
Não queiras acreditar
Aceita o que a sorte dá
Não olhes p'ró dia de ontem
Se o de hoje não te ajudar
Confia no amanhã
Andam as aves à solta
E tu estás preso, porém
Preso na tua verdade
Cala em ti essa revolta
Que mesmo às aves, também
Há quem tire a liberdade
Isto da vida é tão pouco
Que há quem não chegue a saber
Toda a maldade escondida
Neste mundo parvo e louco
Quem vive só por viver
Anda a viver sem ter vida
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Sem preconceitos nem regras
Vive o que a vida te deu
E segue sempre o teu trilho
Para além das nuvens negras
Continua azul o céu
E o sol mantém o seu brilho
Em tudo quanto te contem
Não queiras acreditar
Aceita o que a sorte dá
Não olhes p'ró dia de ontem
Se o de hoje não te ajudar
Confia no amanhã
Andam as aves à solta
E tu estás preso, porém
Preso na tua verdade
Cala em ti essa revolta
Que mesmo às aves, também
Há quem tire a liberdade
Isto da vida é tão pouco
Que há quem não chegue a saber
Toda a maldade escondida
Neste mundo parvo e louco
Quem vive só por viver
Anda a viver sem ter vida
Velho manobreiro
José Fernandes Castro / Fontes Rocha *Velho marinheiro*
Repertório de Gaspar Gomes (ao vivo)
Nasceu para mandriar
E assim se fez manobreiro
Começou por enganar
Uma tipa com dinheiro
Chegou a ter a chave da casa dela
P’ra poder dormir com ela
Falando até em casar
Porém um dia armado em menino quéque
Conseguiu sacar-lhe um cheque
Foi ao banco... e pôs-se a andar
Qual é o rapaz
Repertório de Gaspar Gomes (ao vivo)
Nasceu para mandriar
E assim se fez manobreiro
Começou por enganar
Uma tipa com dinheiro
Chegou a ter a chave da casa dela
P’ra poder dormir com ela
Falando até em casar
Porém um dia armado em menino quéque
Conseguiu sacar-lhe um cheque
Foi ao banco... e pôs-se a andar
Qual é o rapaz
Malandro e audaz
Que saca dinheiro
É o Zé manobreiro
É o Zé manobreiro
É o Zé manobreiro
Que fala meiguinho
Que fala meiguinho
E bem de mansinho
Engana o parceiro
É o Zé Manobreiro
Engana o parceiro
É o Zé Manobreiro
É o Zé Manobreiro
Que tem cola nas mãos
Que tem cola nas mãos
E tem os irmãos
Todos no estaleiro
É o Zé Manobreiro
Todos no estaleiro
É o Zé Manobreiro
É o Zé Manobreiro
Nasceu de mãozinha torta
E assim se fez manobreiro
Andava de porta em porta
Enganando o mundo inteiro
Fez-se doutor, candidato a ser ministro
E passava o tempo nisto
Sempre metido em golpadas
Porém um dia, lá se acabou o bordel
Agora está no hotel
Numas férias bem passadas
Nasceu de mãozinha torta
E assim se fez manobreiro
Andava de porta em porta
Enganando o mundo inteiro
Fez-se doutor, candidato a ser ministro
E passava o tempo nisto
Sempre metido em golpadas
Porém um dia, lá se acabou o bordel
Agora está no hotel
Numas férias bem passadas
Quem me dera ser o mar
Carlos Coelho / João do Carmo Noronha *fado pechincha*
Repertório de Carlos Coelho
Quem me dera ser o mar
Que te prende o pensamento
Que te humedece o olhar
Com sinais de sofrimento
Pudera eu ser a brisa
Para te afagar a alma
Dar tudo o que ela precisa
Carinho, amor, paz e calma
Sentir saudades de alguém
Será bom, mas faz doer
É revivermos também
Tudo o que nos faz viver
Quem me dera ser o mar
Para te poder dizer
Ter amor, poder amar
Sentir, cantar sem sofrer
Repertório de Carlos Coelho
Quem me dera ser o mar
Que te prende o pensamento
Que te humedece o olhar
Com sinais de sofrimento
Pudera eu ser a brisa
Para te afagar a alma
Dar tudo o que ela precisa
Carinho, amor, paz e calma
Sentir saudades de alguém
Será bom, mas faz doer
É revivermos também
Tudo o que nos faz viver
Quem me dera ser o mar
Para te poder dizer
Ter amor, poder amar
Sentir, cantar sem sofrer
D. Filipa de Lencastre
Fernando Pessoa / João Braga
Repertório de João Braga
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo, teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós teu rosto sério
Princesa do Santo Gral
Humano ventre do Império
Madrinha de Portugal
Repertório de João Braga
Que enigma havia em teu seio
Que só génios concebia?
Que arcanjo, teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós teu rosto sério
Princesa do Santo Gral
Humano ventre do Império
Madrinha de Portugal
A minha saudade
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Saudades tenho na vida
Uma saudade escondida
Que dentro de mim esvoaça
É um mal e é dos tais
Que vai aumentando mais
Em cada dia que passa
Como uma folha caída
Pelo vento, sacudida
Que toca de leve no chão
A saudade é a batida
Das folhas secas da vida
A cair no coração
Saudades são o conforto
Dum passado que já morto
À vida rouba vontade
A mão do tempo caída
Mata tudo o que tem vida
E dá mais vida à saudade
A morte é triste e tão feia
Que matar é uma ideia
Que sempre contém maldade
Mas como dá alegria
O sentir a agonia
Da morte duma saudade
Se vires na rua a saudade
Trata-a bem porque ela há-de
Conhecer-te muito bem
E verás que te revela
Que és só tu a causa dela
Por isso é tua também
É minha porque o efeito
Que sinto dentro do peito
Que mostra que mora aqui
Mas diz-me o meu instinto
Que se é minha porque a sinto
É tua… porque é de ti
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Saudades tenho na vida
Uma saudade escondida
Que dentro de mim esvoaça
É um mal e é dos tais
Que vai aumentando mais
Em cada dia que passa
Como uma folha caída
Pelo vento, sacudida
Que toca de leve no chão
A saudade é a batida
Das folhas secas da vida
A cair no coração
Saudades são o conforto
Dum passado que já morto
À vida rouba vontade
A mão do tempo caída
Mata tudo o que tem vida
E dá mais vida à saudade
A morte é triste e tão feia
Que matar é uma ideia
Que sempre contém maldade
Mas como dá alegria
O sentir a agonia
Da morte duma saudade
Se vires na rua a saudade
Trata-a bem porque ela há-de
Conhecer-te muito bem
E verás que te revela
Que és só tu a causa dela
Por isso é tua também
É minha porque o efeito
Que sinto dentro do peito
Que mostra que mora aqui
Mas diz-me o meu instinto
Que se é minha porque a sinto
É tua… porque é de ti
Fado das flores
Rui Rocha / Alfredo Duarte *marcha do marceneiro*
Repertório de Ana Rita Prada
Se a rosa me quer picar
Por trazer espinhos com ela
Saiba que pode encontrar
Outros espinhos como os dela
Se a rosa me quer picar
Tem de ter muita cautela
Se o malmequer me quiser
Assim mal como ele diz
Faça ele o que fizer
Eu serei sempre feliz
Se o malmequer me quiser
Do seu mal já me refiz
Lírio roxo, meu encanto
Quantas vezes te pedi
Fazeres parte do meu canto
Como em outros já ouvi
Lírio roxo, meu encanto
Em meu canto te senti
Quero o meu amor-perfeito
Com a cor do teu lilás
Essa flor que tens no peito
Que por vezes não me dás
Quero o meu amor-perfeito
Mais perfeito não se faz
Repertório de Ana Rita Prada
Se a rosa me quer picar
Por trazer espinhos com ela
Saiba que pode encontrar
Outros espinhos como os dela
Se a rosa me quer picar
Tem de ter muita cautela
Se o malmequer me quiser
Assim mal como ele diz
Faça ele o que fizer
Eu serei sempre feliz
Se o malmequer me quiser
Do seu mal já me refiz
Lírio roxo, meu encanto
Quantas vezes te pedi
Fazeres parte do meu canto
Como em outros já ouvi
Lírio roxo, meu encanto
Em meu canto te senti
Quero o meu amor-perfeito
Com a cor do teu lilás
Essa flor que tens no peito
Que por vezes não me dás
Quero o meu amor-perfeito
Mais perfeito não se faz
Meu país, fado maior
Paulo Bragança / Alfredo Duarte *fado bailado*
Repertório de Paulo Bragança
Jaz no teu coração
Uma terra de lusa-história
O império desfeito em vão
Em nome de falsa glória
Jaz no teu coração
Meu pais fado maior
Neste menor que é o fado
Tua alma Deus Senhor
É uma rosa do condado
Meu pais fado maior
Partiram no teu sonho
Onde os monges são de cera
Pedaços de oiro, suponho
Que o passado conhecera
Partiram no teu sonho
Partiram as naus um dia
Tu’alma dormindo pensa
Dentro delas quem iria
Só vejo a tua presença
Partiram as naus um dia
Repertório de Paulo Bragança
Jaz no teu coração
Uma terra de lusa-história
O império desfeito em vão
Em nome de falsa glória
Jaz no teu coração
Meu pais fado maior
Neste menor que é o fado
Tua alma Deus Senhor
É uma rosa do condado
Meu pais fado maior
Partiram no teu sonho
Onde os monges são de cera
Pedaços de oiro, suponho
Que o passado conhecera
Partiram no teu sonho
Partiram as naus um dia
Tu’alma dormindo pensa
Dentro delas quem iria
Só vejo a tua presença
Partiram as naus um dia
Coimbra eu quis voltar
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Coimbra eu quis voltar
A ver-te porque a verdade
É que julgava matar
Quando te vi a saudade
Mas ao ver cheias as ruas
De vidas em Primavera
As saudades que eram tuas
São saudades do que eu era
Vinham ecos pelo chão
Do que foi a nossa voz
Cada pedra é uma ilusão
Que te deixou um de nós
Na mocidade dos nossos dias felizes
É que a saudade ganha a força das raízes
Porque a saudade é uma renda tecida
Com a idade e o fio da nossa vida.
Coimbra da mocidade
Ainda brincas co’a lua
Tecendo pela cidade
Fios de prata em cada rua
Ao Penedo da Saudade
Ouvi dizer uma vez
Eu sou pedra na verdade
A saudade são vocês
Hoje ao vê-lo novamente
Senti que o Penedo é feito
Destas saudades que a gente
Traz escondidas no peito
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Coimbra eu quis voltar
A ver-te porque a verdade
É que julgava matar
Quando te vi a saudade
Mas ao ver cheias as ruas
De vidas em Primavera
As saudades que eram tuas
São saudades do que eu era
Vinham ecos pelo chão
Do que foi a nossa voz
Cada pedra é uma ilusão
Que te deixou um de nós
Na mocidade dos nossos dias felizes
É que a saudade ganha a força das raízes
Porque a saudade é uma renda tecida
Com a idade e o fio da nossa vida.
Coimbra da mocidade
Ainda brincas co’a lua
Tecendo pela cidade
Fios de prata em cada rua
Ao Penedo da Saudade
Ouvi dizer uma vez
Eu sou pedra na verdade
A saudade são vocês
Hoje ao vê-lo novamente
Senti que o Penedo é feito
Destas saudades que a gente
Traz escondidas no peito
Quimera do meu fado
Carlos Coelho / Raul Pinto
Repertório de Carlos Coelho
Quando sinto esta tristeza
É que me invade a incerteza
Que me aperta o coração
Não sei se ainda te tenho
Só sei que vou e que venho
Envolvido em escuridão
Conheço bem tua luz
E tudo o que ela traduz
Na doçura do desejo
Este meu tempo tão frio
Está cada vez mais sombrio
Sem o clarão do teu beijo
Sem saber como ou porquê
No amor minh’alma crê
Por isso me dou inteiro
Não quero ser condenado
A viver este meu fado
Sem um amor verdadeiro
Eu queria ser primavera
Construir uma quimera
Para te fazer feliz
Ter o brilho dos teus olhos
Quiçá, teu amor aos molhos
É tudo o que sempre quis
Repertório de Carlos Coelho
Quando sinto esta tristeza
É que me invade a incerteza
Que me aperta o coração
Não sei se ainda te tenho
Só sei que vou e que venho
Envolvido em escuridão
Conheço bem tua luz
E tudo o que ela traduz
Na doçura do desejo
Este meu tempo tão frio
Está cada vez mais sombrio
Sem o clarão do teu beijo
Sem saber como ou porquê
No amor minh’alma crê
Por isso me dou inteiro
Não quero ser condenado
A viver este meu fado
Sem um amor verdadeiro
Eu queria ser primavera
Construir uma quimera
Para te fazer feliz
Ter o brilho dos teus olhos
Quiçá, teu amor aos molhos
É tudo o que sempre quis
Nem sempre
Letra de José Guimarães
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Nem sempre o que se canta é de alegria
Nem sempre a gente chora é de tristeza
Nem sempre nas palavras há poesia
Nem sempre o amanhã uma certeza
Nem sempre recordar é ter saudade
Saudade é o que de bom ficou em nós
Nem sempre a nossa voz fala verdade
Os olhos mentem menos do que a voz
Nem sempre o criminoso tem castigo
Nem sempre a humildade é singeleza
E nem sempre quem dá é nosso amigo
Nem sempre ser feliz é ter riqueza
Nem sempre primavera é renascer
Nem sempre ser um velho e ter idade
Nem sempre temos olhos para ver
Quem precisa de amor e caridade;
Nem sempre temes mãos para estender
A que nos pede um pouco de amizade
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Nem sempre o que se canta é de alegria
Nem sempre a gente chora é de tristeza
Nem sempre nas palavras há poesia
Nem sempre o amanhã uma certeza
Nem sempre recordar é ter saudade
Saudade é o que de bom ficou em nós
Nem sempre a nossa voz fala verdade
Os olhos mentem menos do que a voz
Nem sempre o criminoso tem castigo
Nem sempre a humildade é singeleza
E nem sempre quem dá é nosso amigo
Nem sempre ser feliz é ter riqueza
Nem sempre primavera é renascer
Nem sempre ser um velho e ter idade
Nem sempre temos olhos para ver
Quem precisa de amor e caridade;
Nem sempre temes mãos para estender
A que nos pede um pouco de amizade
Adeus tristeza
Letra e música de Fernando Tordo
Repertório de Fernando Tordo
Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano;
A entrevista que era boa não saiu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores;
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Adeus, tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada p'ra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar
Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé p'ra começar
Com muita força no refrão que é popular;
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor, mas sou verdade;
Não ando cá para sofrer, mas p’ra viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser
Repertório de Fernando Tordo
Na minha vida tive palmas e fracassos
Fui amargura feita notas e compassos
Aconteceu-me estar no palco atrás do pano
Tive a promessa de um contrato por um ano;
A entrevista que era boa não saiu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida tive beijos e empurrões
Esqueci a fome num banquete de ilusões
Não entendi a maior parte dos amores
Só percebi que alguns deixaram muitas dores;
Fiz as cantigas que afinal ninguém ouviu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Adeus, tristeza, até depois
Chamo-te triste por sentir que entre os dois
Não há mais nada p'ra fazer ou conversar
Chegou a hora de acabar
Na minha vida fiz viagens de ida e volta
Cantei de tudo por ser um cantor à solta
Devagarinho num couplé p'ra começar
Com muita força no refrão que é popular;
Mas outra vez a triste sorte não sorriu
E o meu futuro foi aquilo que se viu
Na minha vida fui sempre um outro qualquer
Era tão fácil, bastava apenas escolher
Escolher-me a mim, pensei que isso era vaidade
Mas já passou, não sou melhor, mas sou verdade;
Não ando cá para sofrer, mas p’ra viver
E o meu futuro há-de ser o que eu quiser
Amor de toda a vida
José Fernandes Castro / Sérgio Dâmaso *fado sérgio*
Repertório de Gina Santos (ao vivo)
Amor de toda a vida e mais que seja
Que não me cansas nunca, nem te cansas
Tu és muito mais forte que a inveja
Que teima em algemar doces lembranças
Luar que sempre brilhas no meu fado
E raramente vais onde não vou
Contigo tens o dom imaculado
Da paixão que a verdade abençoou
Amor que sempre tens a rima certa
Amor que rimas tudo o que tem cor
Talvez seja por ti que sou poeta
Talvez seja por ti que canto o amor
Amor que me seduz e me sufoca
Amor que me condena a ser feliz
A doçura voraz da tua boca
Expressa o que minh'alma nunca diz
Repertório de Gina Santos (ao vivo)
Amor de toda a vida e mais que seja
Que não me cansas nunca, nem te cansas
Tu és muito mais forte que a inveja
Que teima em algemar doces lembranças
Luar que sempre brilhas no meu fado
E raramente vais onde não vou
Contigo tens o dom imaculado
Da paixão que a verdade abençoou
Amor que sempre tens a rima certa
Amor que rimas tudo o que tem cor
Talvez seja por ti que sou poeta
Talvez seja por ti que canto o amor
Amor que me seduz e me sufoca
Amor que me condena a ser feliz
A doçura voraz da tua boca
Expressa o que minh'alma nunca diz
Meu amor não venhas tarde
Letra e música de Alberto Janes
Repertório de Emília Reis
Meu amor, estou em cuidado
Por favor não venhas tarde
Pelo que tenho rezado
Eu espero que Deus te guarde
No oratório pequenino
Já uma vela acendi
Meu amor, p’ra que o destino
Te guie os passos prá aqui
É a chorar e fazendo preces
Que eu estou esperando
A ver se apareces
E a Senhora da Boa Hora
Já prometeu que chegas agora
Eu não sei se é a saudade
De te ter ao pé de mim
Mas esta dor que m’invade
Quando tu chegas, tem fim
A vela que eu acendi
Consumiu-se e já não arde
E tanto que eu te pedi
Meu amor, não venhas tarde
Repertório de Emília Reis
Meu amor, estou em cuidado
Por favor não venhas tarde
Pelo que tenho rezado
Eu espero que Deus te guarde
No oratório pequenino
Já uma vela acendi
Meu amor, p’ra que o destino
Te guie os passos prá aqui
É a chorar e fazendo preces
Que eu estou esperando
A ver se apareces
E a Senhora da Boa Hora
Já prometeu que chegas agora
Eu não sei se é a saudade
De te ter ao pé de mim
Mas esta dor que m’invade
Quando tu chegas, tem fim
A vela que eu acendi
Consumiu-se e já não arde
E tanto que eu te pedi
Meu amor, não venhas tarde
Um livro chamado Inês
Letra e música de Paco Bandeira
Repertório do autor
Esta letra chegou a ser interpretada pelo saudoso José do Carmo
Repertório do autor
Esta letra chegou a ser interpretada pelo saudoso José do Carmo
na música do Fado Puxavante de Joaquim Campos (?) Júlio Proença
A mulher é como um livro
Antes de se folhear
Tem beleza, tem doçura
Que mistério tem no olhar
Mas depois do livro lido
O livro não presta mais
A não ser que haja um motivo
Que faça voltar a atrás
Eu tive um livro tão lindo
Livro que li tanta vez
Um livro que me roubaram
Um livro chamado Inês
As páginas desse livro
Já não voltarei a ler
Porque esse livro roubado
Tem por dono um outro ser
Li tantos livros na vida
Cada livro é uma lição
São livros que não me interessam
Livros em segunda mão
Mas esse livro que eu amo
E a outro ser, faz feliz
Que não se esqueça jamais
Que foi o primeiro que eu li
A mulher é como um livro
Antes de se folhear
Tem beleza, tem doçura
Que mistério tem no olhar
Mas depois do livro lido
O livro não presta mais
A não ser que haja um motivo
Que faça voltar a atrás
Eu tive um livro tão lindo
Livro que li tanta vez
Um livro que me roubaram
Um livro chamado Inês
As páginas desse livro
Já não voltarei a ler
Porque esse livro roubado
Tem por dono um outro ser
Li tantos livros na vida
Cada livro é uma lição
São livros que não me interessam
Livros em segunda mão
Mas esse livro que eu amo
E a outro ser, faz feliz
Que não se esqueça jamais
Que foi o primeiro que eu li
De todos e de ninguém
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Não quero ser tua
Não sou de quem deseja
Sou livre como na rua
É o vento que me beija;
Passa a guia duma asa
Que no ar alto se isola
O teu amor, uma casa
Não passa duma gaiola;
Por isso não quero ser tua
E é a lua d’alguém?
Pois eu serei como a lua
De todos e de ninguém
Os meus sentidos
Na torrente dos desejos
Andam já entorpecidos
Como o calor dos teus beijos;
Podem estar lassos, dispersos
Que ainda me sabem dar
A noção do que há nos versos
Dum rouxinol a cantar;
E sentindo que palpita
Tanta beleza em redor
Não fecho o mundo, acredita
Só dentro do nosso amor
Sei que me queres
P’ra que viva unicamente
Surda p’ró que não disseres
E cega p’ra toda a gente;
Tu nem queres qu’eu veja as cores
De tudo o que me sorri
Nem a beleza das flores
Se estiver junto de ti;
Mas quando o Sol te ilumina
E te vejo e vejo aquele
A coisa mais pequenina
És tu amor, não é ele
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Não quero ser tua
Não sou de quem deseja
Sou livre como na rua
É o vento que me beija;
Passa a guia duma asa
Que no ar alto se isola
O teu amor, uma casa
Não passa duma gaiola;
Por isso não quero ser tua
E é a lua d’alguém?
Pois eu serei como a lua
De todos e de ninguém
Os meus sentidos
Na torrente dos desejos
Andam já entorpecidos
Como o calor dos teus beijos;
Podem estar lassos, dispersos
Que ainda me sabem dar
A noção do que há nos versos
Dum rouxinol a cantar;
E sentindo que palpita
Tanta beleza em redor
Não fecho o mundo, acredita
Só dentro do nosso amor
Sei que me queres
P’ra que viva unicamente
Surda p’ró que não disseres
E cega p’ra toda a gente;
Tu nem queres qu’eu veja as cores
De tudo o que me sorri
Nem a beleza das flores
Se estiver junto de ti;
Mas quando o Sol te ilumina
E te vejo e vejo aquele
A coisa mais pequenina
És tu amor, não é ele
Menina de olhos cansados
António Vilar da Costa / Nóbrega e Sousa
Repertório de Tony de Matos
Menina de olhos cansados
Dois lindos fados num fado
Triste, ao vê-la, parece
Que até se esquece que o mundo existe
Não sonhe lá nas alturas
Que faz tonturas sonhar assim
Se até o sol beija a lua
Que ideia a sua fugir de mim
Amor, amor não se procura
Quando promete chega na altura
Amor, amor ‘stá na hora
Eu e tu, tu e eu
Ai o mundo é nosso agora
Faz pena vê-la sózinha
Qual andorinha sem primavera
E tantos dias risonhos
Mundos de sonhos à nossa espera
Menina de olhos cansados
Deixe os cuidados para nós dois
Num beijo dê-me um sorriso
Que o paraíso virá depois
Repertório de Tony de Matos
Menina de olhos cansados
Dois lindos fados num fado
Triste, ao vê-la, parece
Que até se esquece que o mundo existe
Não sonhe lá nas alturas
Que faz tonturas sonhar assim
Se até o sol beija a lua
Que ideia a sua fugir de mim
Amor, amor não se procura
Quando promete chega na altura
Amor, amor ‘stá na hora
Eu e tu, tu e eu
Ai o mundo é nosso agora
Faz pena vê-la sózinha
Qual andorinha sem primavera
E tantos dias risonhos
Mundos de sonhos à nossa espera
Menina de olhos cansados
Deixe os cuidados para nós dois
Num beijo dê-me um sorriso
Que o paraíso virá depois
A canção do artista
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fazer versos, é ter queda
P’ra cantar os universos
Onde se cunha a moeda
Do sentir posto nos versos
Se o artista em toda a parte
Fosse rico, com certeza
As maravilhas da arte
Seriam uma pobreza
O artista é desprendido
De riqueza e troféus
Talvez por ter já nascido
Enriquecido por Deus
No amargo sofrimento
Duma dor que nos domina
É que a chama do talento
Deixa de ser pequenina
E se é grande, é o motivo
De haver brasas na ideia
Brasas dum rubro mais vivo
Que a chama que as incendeia
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Fazer versos, é ter queda
P’ra cantar os universos
Onde se cunha a moeda
Do sentir posto nos versos
Se o artista em toda a parte
Fosse rico, com certeza
As maravilhas da arte
Seriam uma pobreza
O artista é desprendido
De riqueza e troféus
Talvez por ter já nascido
Enriquecido por Deus
No amargo sofrimento
Duma dor que nos domina
É que a chama do talento
Deixa de ser pequenina
E se é grande, é o motivo
De haver brasas na ideia
Brasas dum rubro mais vivo
Que a chama que as incendeia
Hino à Murtosa
Letra de Carlos Conde / Música de Túlio Pereira
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Murtosa das bateiras sobre a ria
Dos barcos mercantis, dos moliceiros
És toda luz e cor na sinfonia
Dos campos, dos jardins e dos canteiros
Murtosa do São Paio da Torreira
Que gostou de te ver rir e bailar
Tu bailas, cantas, ris a noite inteira
À roda de uma quadra popular
A ria debrua com franjas de lua
O véu de noivado
E o sol, um tesoiro, borda a seda e oiro
Teu fino toucado
As ondas de espuma tecem uma a uma
As rendas do altar
Murtosa, princesa
És a mais portuguesa das noivas do mar
Murtosa dos caminhos verdejantes
E das eiras em largas desfolhadas
Os teus campos de espigas ondulantes
São traços de aguarelas delicadas
Murtosa toda amor, encanto e luz
És tão grande na fé que Deus te deu
Que lembras um presépio onde reluz
A estrela mais bonita que há no céu
Dos barcos mercantis, dos moliceiros
És toda luz e cor na sinfonia
Dos campos, dos jardins e dos canteiros
Murtosa do São Paio da Torreira
Que gostou de te ver rir e bailar
Tu bailas, cantas, ris a noite inteira
À roda de uma quadra popular
A ria debrua com franjas de lua
O véu de noivado
E o sol, um tesoiro, borda a seda e oiro
Teu fino toucado
As ondas de espuma tecem uma a uma
As rendas do altar
Murtosa, princesa
És a mais portuguesa das noivas do mar
Murtosa dos caminhos verdejantes
E das eiras em largas desfolhadas
Os teus campos de espigas ondulantes
São traços de aguarelas delicadas
Murtosa toda amor, encanto e luz
És tão grande na fé que Deus te deu
Que lembras um presépio onde reluz
A estrela mais bonita que há no céu
Assim
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Assim sem o azul
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Assim sem o azul
Um grande mar, que seria
Também sem temporais
Também sem temporais
O que era a bonança
Sem dor e sofrer
Sem dor e sofrer
Nem sequer se sabia
O que pode a nossa fantasia
Fazer p’ra nos dar uma esperança
Assim como não pode haver
O que pode a nossa fantasia
Fazer p’ra nos dar uma esperança
Assim como não pode haver
O vermelho sem cor
Também sem a flor não há o perfume
Também sem a flor não há o perfume
Sem carne não pode doer uma dor
Sem alma não há o amor
Sem amor não tem vida, o ciúme
Assim como seriam
Sem alma não há o amor
Sem amor não tem vida, o ciúme
Assim como seriam
As estrelas sem luz
Assim o luar que era
Assim o luar que era
Sem haver a água
Também não há sofrimento sem cruz
E que era uma cruz sem Jesus
Mais que pedaços de tábua
Assim sem o sol
Também não há sofrimento sem cruz
E que era uma cruz sem Jesus
Mais que pedaços de tábua
Assim sem o sol
Jamais se fará madrugada
Também sem a dor
Também sem a dor
Nunca há poesia
Sem ti, minha vida seria um nada
Seria um nada
Sem ti, minha vida seria um nada
Seria um nada
Ou nem mesmo seria esse nada
Pois sem ti nem sequer existia
Pois sem ti nem sequer existia
Eu sou do Porto velhinho
Letra de Artur Ribeiro
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Eu sou do Porto velhinho
Cantinho de tradições
Que vive todo inteirinho
Nas minhas pobres canções
Tudo ali é puro e belo
E em cada pedra do chão
Há um coração singelo
Murmurando uma oração
Meu Porto, linda cidade
Velhinha e bem portuguesa
És o berço da saudade
Do trabalho e da nobreza;
Longe de ti, acredita
Que toda a gente, me diz
Que tu és a mais bonita
Das terras do meu país
Oh! minha terra bendita
O Douro passa a cantar
E arranja sempre maneira
De enquanto passa, beijar
Os pés da velha Ribeira
E quando a cidade dorme
Vista de longe ao luar
Parece um altar enorme
Onde a Lua vai rezar
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Eu sou do Porto velhinho
Cantinho de tradições
Que vive todo inteirinho
Nas minhas pobres canções
Tudo ali é puro e belo
E em cada pedra do chão
Há um coração singelo
Murmurando uma oração
Meu Porto, linda cidade
Velhinha e bem portuguesa
És o berço da saudade
Do trabalho e da nobreza;
Longe de ti, acredita
Que toda a gente, me diz
Que tu és a mais bonita
Das terras do meu país
Oh! minha terra bendita
O Douro passa a cantar
E arranja sempre maneira
De enquanto passa, beijar
Os pés da velha Ribeira
E quando a cidade dorme
Vista de longe ao luar
Parece um altar enorme
Onde a Lua vai rezar
Conto de aldeia
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Era uma vez uma aldeia
Ele e ela e depois
A Primavera e as flores
Foram tecendo uma teia
Que foi apertando os dois;
Na teia dos seus amores
Uma rosa do caminho
Que levava a casa dela
Andava toda invejosa
Porque não tinha o carinho
Que a outra tinha e porque ela;
Também se chamava Rosa
Pela rua do seu lar
Passou o tempo fugindo
Alegre feliz contente
O tempo custa a passar
Com tristeza porque rindo;
Passa ele de repente
Outra Primavera ensina
A roseira a dar as flores
Mais bonitas desta vez
E na casa pequenina
Naquela teia de amores;
Eram dois ficaram três
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Era uma vez uma aldeia
Ele e ela e depois
A Primavera e as flores
Foram tecendo uma teia
Que foi apertando os dois;
Na teia dos seus amores
Uma rosa do caminho
Que levava a casa dela
Andava toda invejosa
Porque não tinha o carinho
Que a outra tinha e porque ela;
Também se chamava Rosa
Pela rua do seu lar
Passou o tempo fugindo
Alegre feliz contente
O tempo custa a passar
Com tristeza porque rindo;
Passa ele de repente
Outra Primavera ensina
A roseira a dar as flores
Mais bonitas desta vez
E na casa pequenina
Naquela teia de amores;
Eram dois ficaram três
Tu que não crias em Deus
Letra e música de Guy de Valle Flor
Repertório de Beatriz da Conceição
Tu que sem alma viveste
Espalhando pecado e dor
Bem depressa envelheceste
Sem conheceres o amor
Hoje disseste-me adeus
Eu nem te reconheci
Tu que não crias em Deus
Tu que não crias em Deus
Num Deus que queria a ti
Antigamente passavas
E olhavas-me com desdém
Nesse tempo tu reinavas
Pensando que eras alguém
Pobre rainha sem trono
Hoje no fim da descida
Votada (?) ao abandono
Esquecida da própria vida
Repertório de Beatriz da Conceição
Tu que sem alma viveste
Espalhando pecado e dor
Bem depressa envelheceste
Sem conheceres o amor
Hoje disseste-me adeus
Eu nem te reconheci
Tu que não crias em Deus
Tu que não crias em Deus
Num Deus que queria a ti
Antigamente passavas
E olhavas-me com desdém
Nesse tempo tu reinavas
Pensando que eras alguém
Pobre rainha sem trono
Hoje no fim da descida
Votada (?) ao abandono
Esquecida da própria vida
Canção do passado
Letra de Carlos Conde
Excerto retirado da peça "O crime daquela noite"
Sou duma terra
Que fica longe daqui
Por entre olaias cresci
E sem pai me fiz homem
Sou duma terra
Que estremeço, há muitos anos
Onde as tribos de ciganos
Em negócios se consomem
Sou duma terra
Onde em tempo que lá vai
Fiquei sem amor de pai
Era eu pobre e pequenino
Sou duma terra
Entre olivedos perdida
Que ditou a minha vida
E traçou o meu destino
Sou duma terra
De onde fugiu minha mãe
E em que um pobre que Deus tem
Me afagou nos braços seus
Sou duma terra
Que nos mostra, pelo visto
Que os pobrezinhos de Cristo
Também são filhos de Deus
Sou duma terra
Duma terra abençoada
Onde eu não tenho mais nada
Que uma crença estremecida
Sou duma terra
Onde existe amor profundo
Que me faz correr o mundo
E me ensina ao que é a vida
Excerto retirado da peça "O crime daquela noite"
Sou duma terra
Que fica longe daqui
Por entre olaias cresci
E sem pai me fiz homem
Sou duma terra
Que estremeço, há muitos anos
Onde as tribos de ciganos
Em negócios se consomem
Sou duma terra
Onde em tempo que lá vai
Fiquei sem amor de pai
Era eu pobre e pequenino
Sou duma terra
Entre olivedos perdida
Que ditou a minha vida
E traçou o meu destino
Sou duma terra
De onde fugiu minha mãe
E em que um pobre que Deus tem
Me afagou nos braços seus
Sou duma terra
Que nos mostra, pelo visto
Que os pobrezinhos de Cristo
Também são filhos de Deus
Sou duma terra
Duma terra abençoada
Onde eu não tenho mais nada
Que uma crença estremecida
Sou duma terra
Onde existe amor profundo
Que me faz correr o mundo
E me ensina ao que é a vida
Guitarra sussurrante
Carlos Coelho / Joaquim Campos *fado amora*
Repertório de Carlos Coelho
Minha guitarra tão querida
Quando a afago com carinho
Acalmo minha alma ferida
Por ter cravado, um espinho
De madeira luzidia
Parece o sol a brilhar
Numa praia fugidia
Com o sussurro do mar
Quando toco nela, sinto
Todo o bem que ela me dá
Entrando em seu labirinto
Sem querer mais sair de lá
Neste fado do meu fado
Onde a dor é penetrante
Quero viver abraçado
À guitarra sussurrante;
Guitarra do meu agrado
Companheira, amiga, amante
Repertório de Carlos Coelho
Minha guitarra tão querida
Quando a afago com carinho
Acalmo minha alma ferida
Por ter cravado, um espinho
De madeira luzidia
Parece o sol a brilhar
Numa praia fugidia
Com o sussurro do mar
Quando toco nela, sinto
Todo o bem que ela me dá
Entrando em seu labirinto
Sem querer mais sair de lá
Neste fado do meu fado
Onde a dor é penetrante
Quero viver abraçado
À guitarra sussurrante;
Guitarra do meu agrado
Companheira, amiga, amante
Beijos de sol
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Há numa flor
Quando o sol se levanta
Muito mais cor
E toda ela canta
Ternura calma
Que a luz do sol encerra
Toca na alma
Porque é luz do céu
Que ilumina a terra
Há num botão
Da rosa que vai abrir
A ilusão da Primavera a rir
E o perfume
Que no ar flutua
E sobe nos céus
É feito com lume
Do sol e da lua
E o sopro de Deus
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Há numa flor
Quando o sol se levanta
Muito mais cor
E toda ela canta
Ternura calma
Que a luz do sol encerra
Toca na alma
Porque é luz do céu
Que ilumina a terra
Há num botão
Da rosa que vai abrir
A ilusão da Primavera a rir
E o perfume
Que no ar flutua
E sobe nos céus
É feito com lume
Do sol e da lua
E o sopro de Deus
Cidade nova
José Fernandes Castro / Popular *Corrido do Manuel de Almeida*
Repertório de Ricardo Monteiro
O chão da minha cidade
Tem asfalto do futuro
E o povo sente vaidade
Em ter um solo mais puro
O céu da minha cidade
Tem espaços sonhadores
Porque na voz da saudade
Há sonhos muito maiores
O mar da minha cidade
Tem ondas de confiança
Na maré que nos invade
Temos o sal da esperança
Na minha cidade nova
Há sonhos do meu agrado
Nos versos de qualquer trova
Tudo tem sabor a fado
Repertório de Ricardo Monteiro
O chão da minha cidade
Tem asfalto do futuro
E o povo sente vaidade
Em ter um solo mais puro
O céu da minha cidade
Tem espaços sonhadores
Porque na voz da saudade
Há sonhos muito maiores
O mar da minha cidade
Tem ondas de confiança
Na maré que nos invade
Temos o sal da esperança
Na minha cidade nova
Há sonhos do meu agrado
Nos versos de qualquer trova
Tudo tem sabor a fado
Aquele livro fechado
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A mão do destino traça
Linhas que a sina disser
E por tudo que se faça
A vida é desgraça
Quando a sina o quer
Bem como a pedra caída
No liso espelho da água
Uma esperança destruída
Às ondas dá vida
No lago da mágoa
O fado é trova sentida
Pedaços da vida
Que vibram na voz
Tem na melodia e nos versos
Queixumes dispersos
Que vivem em nós
Naquele livro fechado
Que o futuro nos vai abrindo
Cada folha é um bocado
De vida, passado
A chorar ou rindo
Às penas que vão nascer
Num futuro ignorado
Nada se pode fazer
Mais do que sofrer
Cada um seu fado
Ele é a renda tecida
Com o fio da vida
Romance cantado
É muitas vezes sofrimento
Porque o sentimento
É que fez o fado
Linhas que a sina disser
E por tudo que se faça
A vida é desgraça
Quando a sina o quer
Bem como a pedra caída
No liso espelho da água
Uma esperança destruída
Às ondas dá vida
No lago da mágoa
O fado é trova sentida
Pedaços da vida
Que vibram na voz
Tem na melodia e nos versos
Queixumes dispersos
Que vivem em nós
Naquele livro fechado
Que o futuro nos vai abrindo
Cada folha é um bocado
De vida, passado
A chorar ou rindo
Às penas que vão nascer
Num futuro ignorado
Nada se pode fazer
Mais do que sofrer
Cada um seu fado
Ele é a renda tecida
Com o fio da vida
Romance cantado
É muitas vezes sofrimento
Porque o sentimento
É que fez o fado
Rosa vaidosa
António José / Ferrer Trindade
Repertório de Tony de Matos
Mora num andar em frente ao meu
Vive só, assim como eu, também
Só sei que se chama Rosa
É uma Rosa vaidosa
Que se julga mais do que ninguém
E na rua, a quem lhe quer falar
Se responde, é só com altivez
Põe toda a gente distante
Lá vai seguindo elegante
Nem sorri p’ra mim uma só vez
Mesmo a Rosa de qualquer jardim
Nunca viram uma Rosa assim
Estou na esquina à sua espera
E até cheira a primavera
Quando ela passa por mim
Há quem diga com verdade
Que pena ser tão vaidosa
Ai se ela quisesse um dia
Na minha vida sombria
Faz tanta falta uma Rosa
Repertório de Tony de Matos
Mora num andar em frente ao meu
Vive só, assim como eu, também
Só sei que se chama Rosa
É uma Rosa vaidosa
Que se julga mais do que ninguém
E na rua, a quem lhe quer falar
Se responde, é só com altivez
Põe toda a gente distante
Lá vai seguindo elegante
Nem sorri p’ra mim uma só vez
Mesmo a Rosa de qualquer jardim
Nunca viram uma Rosa assim
Estou na esquina à sua espera
E até cheira a primavera
Quando ela passa por mim
Há quem diga com verdade
Que pena ser tão vaidosa
Ai se ela quisesse um dia
Na minha vida sombria
Faz tanta falta uma Rosa
Tempo perdido
Luís de Campos / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de Lídia Ribeiro
Tinha o destino marcado
O nosso amor fracassado
Como a minha, nem eu sei
História da minha vida
Uma história adormecida
Que ao recordá-la, chorei
Sepultado em peito meu
O meu amor e o teu
Eu queria ressuscitar
Mesmo que fosse um só dia
Eu nem sei o que faria
Para o tempo não passar
Se ainda te vir sorrir
E dentro de ti existir
Um resto do que sofremos
Abraça-me, beija-me tanto
Quero matar nosso pranto
E o tempo que nós perdemos
Repertório de Lídia Ribeiro
Tinha o destino marcado
O nosso amor fracassado
Como a minha, nem eu sei
História da minha vida
Uma história adormecida
Que ao recordá-la, chorei
Sepultado em peito meu
O meu amor e o teu
Eu queria ressuscitar
Mesmo que fosse um só dia
Eu nem sei o que faria
Para o tempo não passar
Se ainda te vir sorrir
E dentro de ti existir
Um resto do que sofremos
Abraça-me, beija-me tanto
Quero matar nosso pranto
E o tempo que nós perdemos
Toiro de Vila Franca
Letra e música de Alberto Janes
Repertório de Hermínia Silva
Numa corrida de touros
O cavaleiro na praça
É um herói, tem que ser valente
E é evidente que é de cá da raça;
A fitar de frente a frente
Vibra todo o redondel
O cavalo o touro teme
E tudo ali treme, menos ele
Eh toiro de Vila Franca
Eh touro bonito, arranca
Que tens aqui quem te faça frente
Corre p’ró meu cavalo
Que eu contra ti abalo
A emoção vibra em toda a gente
O cavaleiro na arena
Domina cavalo e touro;
Firme na sela, faz que pareça
Uma só peça fundida em oiro;
Como todo o que é valente
Aguenta o perigo na calma
E põe sempre em cada sorte
Que é vida ou morte, toda a alma
Se o Marquês de Marialva
Que foi mestre em toda a parte
Agora visse o mestre João
Dar uma lição lá da sua arte;
Visse meter um cavalo
De frente ao piton contrário
Pensava, é minha gente
Gente valente, é extraordinário
Repertório de Hermínia Silva
Numa corrida de touros
O cavaleiro na praça
É um herói, tem que ser valente
E é evidente que é de cá da raça;
A fitar de frente a frente
Vibra todo o redondel
O cavalo o touro teme
E tudo ali treme, menos ele
Eh toiro de Vila Franca
Eh touro bonito, arranca
Que tens aqui quem te faça frente
Corre p’ró meu cavalo
Que eu contra ti abalo
A emoção vibra em toda a gente
O cavaleiro na arena
Domina cavalo e touro;
Firme na sela, faz que pareça
Uma só peça fundida em oiro;
Como todo o que é valente
Aguenta o perigo na calma
E põe sempre em cada sorte
Que é vida ou morte, toda a alma
Se o Marquês de Marialva
Que foi mestre em toda a parte
Agora visse o mestre João
Dar uma lição lá da sua arte;
Visse meter um cavalo
De frente ao piton contrário
Pensava, é minha gente
Gente valente, é extraordinário
Nas cordas d’uma guitarra
Carlos Coelho / José António Sabrosa
Repertório de Carlos Coelho
Nas cordas d’uma guitarra
Vou cantando a soluçar
A vida às vezes bizarra
Faz-me viver p’ra te amar
As lágrimas deste meu pranto
São gotas vindas dos céus
Amor é divino manto
Que me foi dado por Deus
O amor é luz amiga
Nas horas boas e más
É a força que me obriga
A nunca voltar atrás
Para trás não voltarei
Estou no caminho que quis
Se o meu coração te dei
Quero fazer-te feliz
Em busca do paraíso
Percorro as pedras da vida
Nos lábios tenho o sorriso
Da pessoa mais querida
Repertório de Carlos Coelho
Nas cordas d’uma guitarra
Vou cantando a soluçar
A vida às vezes bizarra
Faz-me viver p’ra te amar
As lágrimas deste meu pranto
São gotas vindas dos céus
Amor é divino manto
Que me foi dado por Deus
O amor é luz amiga
Nas horas boas e más
É a força que me obriga
A nunca voltar atrás
Para trás não voltarei
Estou no caminho que quis
Se o meu coração te dei
Quero fazer-te feliz
Em busca do paraíso
Percorro as pedras da vida
Nos lábios tenho o sorriso
Da pessoa mais querida
A minha casa
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A minha casa é aquela que se vê
De todas a mais branquinha
Pode não ser a mais bela, acho que é
Se calhar por ser a minha
As janelas enfeitadas de rosinhas
Um quintalinho, uma horta
Duas parreiras armadas
E cachos d’uvas douradas
São o telhado da porta
Toda a gente logo pára, quando passa
Por qualquer coisa que sente
Como uma espécie de graça que esvoaça
Em redor do ambiente
Dá pinceladas de brasa
O Sol, a tudo o que avista
Mas ali na minha casa
Mas ali na minha casa
É que o Sol é mais artista
Da minha casa p’ra lá, é o final
Porque ali o mar começa
E perguntam-nos o que há em Portugal
Que o Sol perde a cabeça
É porque ele ao caminhar, quando nos deixa
É sempre com o desgosto
Do rapaz que vai p’ró mar
Pode um dia não voltar
Lá das águas do Sol posto
Então vai-nos entregando em suas teias
Por não querer levar p’ró mar
Rubis de luz nas aldeias às mãos cheias
Com que a gente anda a brincar
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
A minha casa é aquela que se vê
De todas a mais branquinha
Pode não ser a mais bela, acho que é
Se calhar por ser a minha
As janelas enfeitadas de rosinhas
Um quintalinho, uma horta
Duas parreiras armadas
E cachos d’uvas douradas
São o telhado da porta
Toda a gente logo pára, quando passa
Por qualquer coisa que sente
Como uma espécie de graça que esvoaça
Em redor do ambiente
Dá pinceladas de brasa
O Sol, a tudo o que avista
Mas ali na minha casa
Mas ali na minha casa
É que o Sol é mais artista
Da minha casa p’ra lá, é o final
Porque ali o mar começa
E perguntam-nos o que há em Portugal
Que o Sol perde a cabeça
É porque ele ao caminhar, quando nos deixa
É sempre com o desgosto
Do rapaz que vai p’ró mar
Pode um dia não voltar
Lá das águas do Sol posto
Então vai-nos entregando em suas teias
Por não querer levar p’ró mar
Rubis de luz nas aldeias às mãos cheias
Com que a gente anda a brincar
Sinto piedade
Letra e música de Guy de Valle Flor
Repertório de Beatriz da Conceição
Sinto piedade
Quando te vejo passar
Com tristeza no olhar
E certo ar comprometido
Sinto piedade
Dessa que vai a teu lado
Julgando-te apaixonado
Pensando teres-me esquecido
Passas altivo
Com outra de braço dado
Queres sentir-te acompanhado
Dispensando estar contente
Mas eu te digo
Pobre de ti, metes dó
Como podes ‘star tão só
No meio de tanta gente
Sinto saudade
De te ver sorrir, sincero
Sem pores esse desespero
Em que hoje tens vivido
Que infelicidade
Deve ser fingir assim
Quando olhas para mim
Com ar de desconhecido
Há já quem diga
Que afirmas que te esqueceste
Desse tempo que viveste
Dum amor que já morreu
Mas Deus castiga
E é por isso que hoje em dia
Fingindo teres alegrai
És mais infeliz do que eu
Repertório de Beatriz da Conceição
Sinto piedade
Quando te vejo passar
Com tristeza no olhar
E certo ar comprometido
Sinto piedade
Dessa que vai a teu lado
Julgando-te apaixonado
Pensando teres-me esquecido
Passas altivo
Com outra de braço dado
Queres sentir-te acompanhado
Dispensando estar contente
Mas eu te digo
Pobre de ti, metes dó
Como podes ‘star tão só
No meio de tanta gente
Sinto saudade
De te ver sorrir, sincero
Sem pores esse desespero
Em que hoje tens vivido
Que infelicidade
Deve ser fingir assim
Quando olhas para mim
Com ar de desconhecido
Há já quem diga
Que afirmas que te esqueceste
Desse tempo que viveste
Dum amor que já morreu
Mas Deus castiga
E é por isso que hoje em dia
Fingindo teres alegrai
És mais infeliz do que eu
Povo sagrado
José Vasconcelos e Sá / Joaquim Campos *fado vitória*
Repertório de António Pinto Basto
Alentejo, amargura
Cuja memória perdura
Tua agonia é pujança
Tu podes não ter mais nada
Mas tua alma é sagrada
Porque nela vive a esperança
Oiço o gemer da charrua
A rascar a terra crua
Numa constante labuta
Os torrões de cada herdade
Rezam preces de humildade
E a terra nem sempre escuta
Alentejo sedutor
Não percas o teu labor
Vence a terra fresca e nua
Teu povo não desanima
De todos merece a estima
Não desistas, continua
Repertório de António Pinto Basto
Alentejo, amargura
Cuja memória perdura
Tua agonia é pujança
Tu podes não ter mais nada
Mas tua alma é sagrada
Porque nela vive a esperança
Oiço o gemer da charrua
A rascar a terra crua
Numa constante labuta
Os torrões de cada herdade
Rezam preces de humildade
E a terra nem sempre escuta
Alentejo sedutor
Não percas o teu labor
Vence a terra fresca e nua
Teu povo não desanima
De todos merece a estima
Não desistas, continua
Carta do Chico
Letra de Alberto Janes
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
À saída de um petisco, no outro dia
De um franganito tratado, em fricassé
Eu ouvi cantar num disco
Uma cantiga que fala
No Chico do Cachené
Ouvi com mais atenção e vi então
Que era somente de mim que se falava
E dizia uma pequena, que era uma pena
Eu estar no estado em que estava
Por ser verdade o que ouvi, tanto senti
O que me dizia o disco
Que uma saudade maior
Deu-me volta ao interior
E escangalhou-me o petisco
Empurrou-me esta saudade para trás
E ouvi-me a mandar vir mais um jarrinho
Pois deixem falar quem fala
Se a saudade nos abala
A água não é caminho
Resolvi depois escrever, está bem de ver
A quem me canta no disco, agradecendo
Uma azeitona de sobra, mãos à obra
A escrever ia comendo
Desconheço se esta letra foi gravada.
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível.
À saída de um petisco, no outro dia
De um franganito tratado, em fricassé
Eu ouvi cantar num disco
Uma cantiga que fala
No Chico do Cachené
Ouvi com mais atenção e vi então
Que era somente de mim que se falava
E dizia uma pequena, que era uma pena
Eu estar no estado em que estava
Por ser verdade o que ouvi, tanto senti
O que me dizia o disco
Que uma saudade maior
Deu-me volta ao interior
E escangalhou-me o petisco
Empurrou-me esta saudade para trás
E ouvi-me a mandar vir mais um jarrinho
Pois deixem falar quem fala
Se a saudade nos abala
A água não é caminho
Resolvi depois escrever, está bem de ver
A quem me canta no disco, agradecendo
Uma azeitona de sobra, mãos à obra
A escrever ia comendo
Fado do nosso amor
Carlos Coelho / Carlos Simões Neves *fado tamanquinhas*
Repertório de Carlos Coelho
Foi naquele fim de tarde
Que o amor aconteceu
Não sei bem se veio tarde
Só sei que meu peito arde
No fogo que ele acendeu
Ao sentir esse teu beijo
Os meus olhos te disseram
Neste amor com tal desejo
Dorido, quando não vejo
O que os teus lábios me deram
P’la força que tu me dás
Que acalenta este meu ser
Não quero voltar atrás
Contigo encontrei a paz
Tu és todo o meu viver
Agora que estás em mim
Neste amor sem condição
Vou contigo até ao fim
Pois meu amar é assim
Assim é meu coração
Repertório de Carlos Coelho
Foi naquele fim de tarde
Que o amor aconteceu
Não sei bem se veio tarde
Só sei que meu peito arde
No fogo que ele acendeu
Ao sentir esse teu beijo
Os meus olhos te disseram
Neste amor com tal desejo
Dorido, quando não vejo
O que os teus lábios me deram
P’la força que tu me dás
Que acalenta este meu ser
Não quero voltar atrás
Contigo encontrei a paz
Tu és todo o meu viver
Agora que estás em mim
Neste amor sem condição
Vou contigo até ao fim
Pois meu amar é assim
Assim é meu coração
Anda o fado a brincar comigo
Letra e música de Alberto Janes
Repertório de Hermínia Silva
Anda o fado a brincar comigo
O castiço, o verdadeiro
Porque há fados, meu amigo
Que de fado, nem o cheiro;
São melopeias sentidas
Que cantam umas pessoas
Que à força de boas vidas
Já não têm vidas boas
Ó fado, se queres ser bom
Dá-me saúde e alegria
E dinheirinho que chegue
P’ra isto do dia-a-dia;
Vai à desgraça, previne-a
Se a pouca sorte me viu
E diz-lhe: – Só à Hermínia
Você não faz mal, ouviu?
Anda o fado a brincar comigo
Sempre que canto de novo
O que eu canto e o que eu digo
Fica na boca do povo;
Encanta-me a melodia
Dos fados, os mais diversos
E só canto a alegria
Que caiba em quatro versos
Comigo o fado brincou
Desde muito pequenina
Eu cantei, ele gostou
E tornou-se a minha sina;
Há coisas que o fado tem
Que não sabe muita gente
E até só as sabe bem
Quem canta só o que sente
Repertório de Hermínia Silva
Anda o fado a brincar comigo
O castiço, o verdadeiro
Porque há fados, meu amigo
Que de fado, nem o cheiro;
São melopeias sentidas
Que cantam umas pessoas
Que à força de boas vidas
Já não têm vidas boas
Ó fado, se queres ser bom
Dá-me saúde e alegria
E dinheirinho que chegue
P’ra isto do dia-a-dia;
Vai à desgraça, previne-a
Se a pouca sorte me viu
E diz-lhe: – Só à Hermínia
Você não faz mal, ouviu?
Anda o fado a brincar comigo
Sempre que canto de novo
O que eu canto e o que eu digo
Fica na boca do povo;
Encanta-me a melodia
Dos fados, os mais diversos
E só canto a alegria
Que caiba em quatro versos
Comigo o fado brincou
Desde muito pequenina
Eu cantei, ele gostou
E tornou-se a minha sina;
Há coisas que o fado tem
Que não sabe muita gente
E até só as sabe bem
Quem canta só o que sente
Tanto me faz
Marta Rosa / José Carlos Gomes *fado magala*
Repertório de Tânia Oleiro
Posso perdoar, talvez
Esquecer não sou capaz
Quem mal tanto me fez
Agora tanto me faz
Passa por mim outra vez
Já não leva o meu sossego
Hoje só por desapego
Posso perdoar, talvez
Mesmo a quem não satisfaz
A verdade não se nega
Posso até fingir-me cega
Esquecer, não sou capaz
Vejo ali com que altivez
Passa agora e me sorri
Passe bem longe daqui
Quem por mal tanto me fez
Conquistei a minha paz
Sou feliz e na verdade
Já não guardo nem saudade
Agora tanto me faz
Repertório de Tânia Oleiro
Posso perdoar, talvez
Esquecer não sou capaz
Quem mal tanto me fez
Agora tanto me faz
Passa por mim outra vez
Já não leva o meu sossego
Hoje só por desapego
Posso perdoar, talvez
Mesmo a quem não satisfaz
A verdade não se nega
Posso até fingir-me cega
Esquecer, não sou capaz
Vejo ali com que altivez
Passa agora e me sorri
Passe bem longe daqui
Quem por mal tanto me fez
Conquistei a minha paz
Sou feliz e na verdade
Já não guardo nem saudade
Agora tanto me faz
Resta-me o fado
José Fernandes Castro / Armandinho *Fado Mayer*
Repertório de Paula Canossa (ao vivo)
Eu já sabia
Que o nosso dia faria história
Por ser imenso
Por ser intenso (e) cheio de glória
Só não pensei
Que o amor sem lei e sem pecado
Chegasse ao fim
E sendo assim resta-me o fado
Resta-me o fado que hoje sou
E que me transformou
Naquilo que ficou
Agora que partiste
Resta-me o fado
Que sinto, mas não se vê
E tenho à minha mercê
Um sonho que não desiste
Mantenho vivo
Aquele desejo que não me vence
Doce motivo
Para que um beijo me recompense
De fado em fado
De verso em verso, mas sem amarras
Sou o trinado
Quente e disperso que há nas guitarras
Repertório de Paula Canossa (ao vivo)
Eu já sabia
Que o nosso dia faria história
Por ser imenso
Por ser intenso (e) cheio de glória
Só não pensei
Que o amor sem lei e sem pecado
Chegasse ao fim
E sendo assim resta-me o fado
Resta-me o fado que hoje sou
E que me transformou
Naquilo que ficou
Agora que partiste
Resta-me o fado
Que sinto, mas não se vê
E tenho à minha mercê
Um sonho que não desiste
Mantenho vivo
Aquele desejo que não me vence
Doce motivo
Para que um beijo me recompense
De fado em fado
De verso em verso, mas sem amarras
Sou o trinado
Quente e disperso que há nas guitarras
Fado das lágrimas
Letra e música de Alberto Janes
Repertório de Fernanda Peres
Gota d’água que ao brilhar
Consegues atenuar
O desgosto que se acalma;
Tu és a alma a sangrar
O pranto é sangue da alma
Os teus segredos são tais
Que não apareces mais
Quando a vida é doce e calma;
Só corres nos temporais
Do mar que temos na alma
Se o pranto no meu olhar
Não mora constantemente;
É que vive no cantar
Pois aprendi a chorar
Duma maneira diferente;
Uma coisa me domina
A cantar dentro de mim;
É a voz da minha sina
Porque é ela quem me ensina
A chorar cantando assim
Estas duas estrofes não foram gravadas
Em cada lágrima vai
Repertório de Fernanda Peres
Gota d’água que ao brilhar
Consegues atenuar
O desgosto que se acalma;
Tu és a alma a sangrar
O pranto é sangue da alma
Os teus segredos são tais
Que não apareces mais
Quando a vida é doce e calma;
Só corres nos temporais
Do mar que temos na alma
Se o pranto no meu olhar
Não mora constantemente;
É que vive no cantar
Pois aprendi a chorar
Duma maneira diferente;
Uma coisa me domina
A cantar dentro de mim;
É a voz da minha sina
Porque é ela quem me ensina
A chorar cantando assim
Estas duas estrofes não foram gravadas
Em cada lágrima vai
Um bocadinho dum ai
Nascido do sentimento
Em cada uma lá sai
Nascido do sentimento
Em cada uma lá sai
Um pouco de sofrimento
Cada lágrima caída
Cada lágrima caída
No adeus da despedida
Dos meus olhos infelizes
É um pedaço de vida
Dos meus olhos infelizes
É um pedaço de vida
A que faltaram raízes
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