Gabriel de Oliveira / Pedro Rodrigues
Repertório de Carlos Ramos
Vou fazer a descrição
Dum café de camareiras
No Bairro da Mouraria
Lembrar tempos que lá vão
De fidalgos e rameiras
E cenas de valentia
Os rufias são atores
No cenário da ralé
Por isso ninguém se ilude
Nós somos espectadores
O teatro é o café
Do cantinho da saúde
É bom que ninguém se afoite
Vão-se dar cenas canalhas
Nesses antros de má fé
Deram dez horas da noite
Entrou a rusga às navalhas
Pelas portas do café
O Pinóia da guitarra
Fadista bem conhecido
Pára de cantar o fado
Há burburinho, algazarra
E um fidalgo destemido
Negou-se a ser apalpado
Fadistas falam calão
E uma camareira esperta
Chegou-se com ligeireza
Bem junto dum rufião
Escondendo a navalha aberta
Que este espetara na mesa
Depois da rusga abalar
No café de camareiras
Há movimento, alegria
Há fadistas a cantar
Várias cenas desordeiras
E era assim a Mouraria