... encontrará neste blogue letras de algumas cancões intemporais ... porquê?

... porque nem só de fado vive a alma da poesia portuguesa ...

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Tenho vindo a publicar letras (de autores que já partiram) sem indicação de intérpretes ou compositores na esperança de obter informações detalhadas sobre os temas.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: por falta de informação nem sempre são mencionados os criadores dos temas aqui apresentados.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
<> 8.200 LETRAS PUBLICADAS <> <> 4.840.000 VISITAS <>

.

Café de camareiras

Gabriel de Oliveira / Pedro Rodrigues
Repertório de Carlos Ramos


Vou fazer a descrição
Dum café de camareiras
No Bairro da Mouraria
Lembrar tempos que lá vão
De fidalgos e rameiras
E cenas de valentia

Os rufias são atores
No cenário da ralé
Por isso ninguém se ilude
Nós somos espectadores
O teatro é o café
Do cantinho da saúde

É bom que ninguém se afoite
Vão-se dar cenas canalhas
Nesses antros de má fé
Deram dez horas da noite
Entrou a rusga às navalhas
Pelas portas do café

O Pinóia da guitarra
Fadista bem conhecido
Pára de cantar o fado
Há burburinho, algazarra
E um fidalgo destemido
Negou-se a ser apalpado

Fadistas falam calão
E uma camareira esperta
Chegou-se com ligeireza
Bem junto dum rufião
Escondendo a navalha aberta
Que este espetara na mesa

Depois da rusga abalar
No café de camareiras
Há movimento, alegria
Há fadistas a cantar
Várias cenas desordeiras
E era assim a Mouraria