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Canal de JOSÉ FERNANDES CASTRO em parceria com RÁDIO MIRA

RÁDIO apadrinhada pelo mestre *RODRIGO*

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AS LETRAS PUBLICADAS REFEREM A FONTE DE EXTRAÇÃO, OU SEJA: NEM SEMPRE SÃO MENCIONADOS OS LEGÍTIMOS CRIADORES
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ATINGIDO ESTE VALOR // QUE ME FAZ SENTIR HONRADO // CONTINUO, COM AMOR // A SER SERVIDOR DO FADO
POIS MESMO DESAGRADANDO // A TROIANOS MALDIZENTES // OS GREGOS VÃO APOIANDO // E VÃO FICANDO CONTENTES
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Fado do estudante

José Galhardo / Raúl Ferrão / Raúl Portela
Versão do repertório de João Braga 
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Criação de Vasco Santana no primeiro filme sonoro inteiramente feito em Portugal, 
A Canção de Lisboa, em 1932 (A Severa, de Leitão de Barros, foi sonorizado em França). 
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
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Que negra sina, ver-me assim 
Que sorte vil, degradante 
Ai que saudade eu sinto em mim
Do meu viver de estudante 

Nesse fugaz tempo de amor que dum rapaz é o melhor 
Era um audaz conquistador das raparigas 
De capa ao ar, cabeça ao léu, só para amar vivia eu 
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas 

Nenhuma delas me prendeu 
Deixá-las eu, era canja 
Até ao dia em que apareceu
Essa traidora da franja 

Sempre a tenir, sem um tostão, batina a abrir por um rasgão 
Botas a rir, um bengalão e ar descarado 
A vadiar com outros mais ia dançar p’ros arraiais 
P'ra namorar, beber, folgar, cantar o fado 

Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia 
Os professores, a faculdade
E a mesa de anatomia 

Invoco em mim recordações que não têm fim 
Dessas lições frente ao jardim do velho campo de Santana 
Aulas que eu dava e se estudasse ainda estava nessa classe 
A que eu faltava sete dias por semana 

O fado é toda a minha fé 
Embala, encanta e enebria 
Pois chega a ser bonito até 
Na rádio ou telefonia 

Quanto é tocado com calor, bem atirado e a rigor 
É belo o fado, ninguém há quem lhe resista 
É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar 
E eis a razão de eu ser doutor e ser fadista


É difícil dizer se foram alguns fados-canção verdadeiramente geniais que ajudaram ao enorme
êxito dos filmes portugueses desta época, ou se foram estes filmes da idade de oiro do cinema
português que deram visibilidade, audibilidade e perenidade a fados como este.

Certo é que, hoje em dia, já não se estuda Medicina no Campo de Sant’Ana, os estudantes
já não andam de capa e batina senão em dias muito especiais ou quando actuam em tunas
já ninguém usa bengalão, mas este fado ouve-se com frequência e sempre com agrado.