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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Aquele fadista ignorado

Silveste José / Armando Freire *alexandrino do estoril*
Repertório de José Guerreiro

Houve um fadista antigo, que só ouvi cantar
Canções todas ligadas, ao sítio onde nasceu
O fado que ele cantou, nem sequer trautear
Escutei uma só vez, porque ele mo escondeu

Cantava lindamente, de modo sóbrio e vário
Alguns bem conhecidos, fados do Marceneiro
Usou fato de ganga, a farda do operário
Era o fado vadio, na voz de um serralheiro

Desse fadista antigo, seu fado eu ignorava
Um ano e outro passa, lembro com devoção
Por isso vou cantando, assim como ele gostava
O peso da saudade, baila no meu coração

Fazer com ele dueto, não me calhou em sorte
Tinha sido bonito, cantarmos lado a lado
Há muito que partiu, ao encontro da morte
Fiquei com a herança, dele, minha e do fado