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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado das cordas soltas

Letra e musica de José Ricardo Silva
Repertório de Isa Cardoso

Tu foste embora sem nenhuma razão
Sem local nem hora, nem sequer direção
Eu já estava farta, nem chorei e depois
Só deixaste uma carta e o retrato dos dois

Meu fado banal, estás tão repetido
És tão atonal, não me sais do ouvido
Rascunho na tela ou pintura rupestre
Tens travo a canela, ou amora silvestre

E sem melodia, sem notas nem som
Canto sem harmonia, sem compasso nem tom
É assim minha vida, às voltas e voltas
Tão só e perdida, fado das cordas soltas
Eu sei que não voltas
Fado das cordas soltas

Eu já decorei onde guardo o que é teu
Já tudo arrumei, nada se perdeu
Aquelas gavetas com as tuas canções
Estão de novo repletas de recordações

Ah meu fado, outra vez que pairas no ar
Às duas por três lá estou eu a cantar
És grafite e carvão que apago sem fim
Do meu coração, de dentro de mim