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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado desconcertado

Maria do Rosário Pedreira / Ricardo Cruz
Repertório de António Zambujo

Ensaiava eu meus fados
Quando entraste desabrida
Nós não estávamos zangados
Mas vi-te os olhos molhados
E o dedo apontado à ferida

Disseste que não te ligo / Que até esqueci onde moro
Que só vejo o meu umbigo
E embora viva contigo / É com o fado que namoro

Fiquei tão desconcertado / Por te saber infeliz
Que, mesmo desafinado
Te pedi perdão num fado / Por tanto mal que não fiz

Desde então, se estás carente / De coração apertado
Passa sem medo entre a gente
E sentada à minha frente / Pedes que cante esse fado