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Travessa do poço dos negros

João Gil / Luís Represas
Repertório de Carlos Zel 

A história que a gente vos quer contar
Aconteceu um dia na Lisboa
Aonde o tempo corre devagar
Chegamos, era cedo, à Ribeira
Ainda todo o peixe respirava
E a outra carne aos poucos definhava

O gemido do cordame das amarras
Juntava-se ao lamento dos porões
E o que nos chega fora são canções
A gente viu sair 
Uma outra gente que dançava
Um estranho bailado em tom dolente
Marcado pelo bater das correntes

Anda linda
Vamos p'ra ver se é verdade
Que lá se pode ouvir cantar
Anda linda
Vamos ao poço dos negros
Pra ver quem pode lá morar

Mais tarde fomos ter àquela parte da cidade
Que é mais profunda do que a maré baixa
E a lua só visita por vaidade
De novo a estranha moda se dançava
Agora com suspiros de saudade
Agora com bater de corações

Batiam-se co’as barrigas 
E roçavam-se nas coxas
Os corpos já dourados de suor
E as bocas já vermelhas dos amores
Quisemos nós saber 
Qual é o nome desta moda
Respondeu-nos um velho já mirrado
Lundum...
Mas se quiserem chamem fado