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6.200 LETRAS PUBLICADAS // 2.028.600 VISITAS // Janeiro 2020

Atingido este valor // Que me faz sentir honrado // Continuo, com amor // A ser servidor do fado.

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Casario

Vasco Graça Moura / José Campos e Sousa
Repertório de António Pinto Basto 

Em Lisboa eu prefiro o casario
Que se narcisa visto da outra banda
No espelho às vezes turvo deste rio
Na limpidez do rio às vezes branda

É entre o mar da palha e o bugio
Que o renque das fachadas se desmanda
Em tons de porcelana ao desafio
Em cada patamar, cada varanda

E a luz de água e azul a derramar-se
Vem envolver-lhe o vulto reflectido
Dar-lhe o contraste de uns ciprestes, dar-se
Como um banho lustral e desmedido

É véu de gaze leve o seu disfarce
Mas é tão ténue e frágil o tecido
Que pode acontecer que ainda o esgarce
Um voo de gaivotas esquecido

Então seu corpo sob o véu rasgado
Terá uma outra luz densa e leitosa
Translúcida nudez do compassado
Coração da cidade branca e rosa