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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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História do quadrilheiro

*História do quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro*
António Aleixo / José Niza
Repertório de Adrianao Correia de Oliveira

Já lá vai preso o ladrão
Que em toda a parte aparecia
Contam-se mais de um milhão
De roubos que ele fazia


Meus senhores vão ouvir / A história do quadrilheiro
Manuel Domingos Louzeiro / Que foi a pena cumprir
Enquanto alguém de Salir / Num primor de descrição
Lhe chama até "Lampeão" / Mas, salirenses honrados
Podeis dormir descansados
Que lá foi preso o ladrão

P’las coisas que o povo diz / O tal Domingos tem sido
P’ra uns, terrível bandido / P’ra outros, grande infeliz
Mas eu, sem querer ser juiz / Vi que ele se despedia
Da mulher com quem vivia / Numa amizade sincera
E não vi nele a tal fera
Que em toda a parte aparecia

Desse rei dos criminosos / Direi aos que o conheceram
Poucos crimes apareceram / E poucos são os queixosos
Apenas alguns medrosos / Terrível fama lhe dão
Para a justiça só são / Os seus crimes dois ou três
Mas coisas que ele não fez
Contam-se mais de um milhão

Por alguns sítios passava / Onde há só gente honradinha
Que roubava à vontadinha / E que ninguém acusava
Tudo Domingos pagava / E ele às vezes nem sabia
Que à sua sombra vivia / Gente que passa por justa
Fazendo crimes à custa
Dos roubos que ele fazia