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Cais noturno

Fernando Campos de Castro / Pedro Rodrigues
Repertório de Alzira Afonso
     
Prendi num canto sombrio      
Do cais solitário e triste
O barco do pensamento
Deitei amarras ao rio
E sobre o cais negro e frio
Ganhei a forma do vento

Fui longe por entre a bruma 
Sozinha na madrugada
Sem ter saído dali
E sem haver praia alguma 
Fiz uma cama d’espuma
Onde ansiava por ti

Na noite havia gemidos 
E o respirar ofegante
De gaivotas sobre a água
E nos meus cinco sentidos 
Havia sonhos erguidos
Aos sonhos da minha mágoa

Vieste já madrugada 
Com asas feitas de vento
Sobre uma onda perdida
E a tua boca salgada
Galgando a noite fechada
Foi o cais da minha vida