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5.915 LETRAS // 1.500.000 VISITAS // DEZEMBRO 2019

Ovelha negra

João Dias / Jaime Santos *fado alvito*
Repertório de Beatriz da Conceição

Chamaram-me ovelha negra
Por não aceitar a regra
De ser coisa, em vez de ser;
Rasguei o manto do mito
E pedi mais infinito
Na urgência de viver

Caminhei vales e rios
Passei fomes, passei frios / Bebi água dos meus olhos
Comi raízes de dôr
Doeu-me o corpo d'amor / Em leitos feitos de escolhos

Cansei as mãos e os braços
Em negativos abraços /
De que a alma, foi ausente
Do sangue das minhas veias
Ofereci taças bem cheias /
Á sede de toda a gente

Arranquei com os meus dedos
Migalhas de grãos, segredos / Da terra, escassa de pão
E foi por mim que viveu
A alma que Deus me deu / Num corpo feito razão