- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Loading ...

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

* As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: nem sempre são mencionados os legítimos criadores *

<> 6.305 LETRAS <> 2.180.000 VISITAS <> JUNHO DE 2021 <>

* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

* POIS MESMO DESAGRADANDO /*/ A *TROIANOS* MALDIZENTES /*/ OS "GREGOS VÃO APOIANDO /*/ E VÃO FICANDO CONTENTES *

* NÃO ENCONTRA O FADO PREFERIDO? /*/ ENVIE, POR FAVOR, O SEU PEDIDO * fadopoesia@gmail.com

--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Tia Macheta *maus agoiros*

João Linhares Barbosa / Manuel Soares
Repertório de Berta Cardoso


O amante não aparecera 
Triste, a Severa / Sempre fiel
Chamou a tia Macheta 
Velha alcoveta / P’ra saber dele

A velha pegou nas cartas
Sebentas fartas / De mãos tão sujas
E antes de as embaralhar
Pôs-se a grasnar como as corujas

Ele não vem, minha filha
Di-lo a espadilha / Há maus agoiros
Há também uma viagem
Um personagem / A dama d’oiros

Este conde é o meu fraco
Tome um pataco / Tia Macheta
A velha guardou as cartas
De sebo fartas / Sob a roupeta

Caíram três badaladas
Fortes, pesadas / Três irmãs gémeas
Cá fora nos portais frios
Cantam vadios / Feias blasfémias

O fidalgo não voltou 
Severa o esperou / Até ser dia
E desde essa noite é que existe
O fado triste / Da Mouraria


Letra transcrita de um manuscrito de Linhares Barbosa com a data de Janeiro de 1954. 

A primeira curiosidade é vermos que o autor escreveu sempre «Tia Mancheta», embora, 
hoje em dia, todos lhe chamem «Macheta». 

Não se pode considerar um fado tradicional, por intercalar versos de quatro sílabas 
com versos de sete. De qualquer forma, não há refrão.

Além do forte poder evocativo e da liberdade poética de se marcar com precisão o instante 
do nascimento de um fado primordial como o Mouraria (do qual, na realidade, se desconhece 
o compositor), vale esta letra pela genial originalidade das rimas, das imagens, da intensidade
descritiva, quase cinematográfica, com que coloca o leitor/ouvinte dentro do ambiente da cena.

De referir, também, que em todas as gravações e audições, a começar pela da criadora Berta Cardoso
se ouvem os primeiros versos da penúltima estrofe alterados para:
«Caíram três badaladas / Fortes, pesadas / Três irmãs gémeas», sem dúvida, de melhor efeito. 

Fica por saber se a modificação se deve ao próprio autor, ou à primeira intérprete.

Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*