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Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO

Rádio apadrinhada pelo mestre RODRIGO
CANAL DE JOSÉ FERNANDES CASTRO EM PARCERIA COM A RÁDIO MIRA

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* As letras publicadas referem a fonte de extração, ou seja: nem sempre são mencionados os legítimos criadores *

<> 6.365 LETRAS <> 2.245.800 VISITAS <> AGOSTO DE 2021 <>

* ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO *

* POIS MESMO DESAGRADANDO /*/ A *TROIANOS* MALDIZENTES /*/ OS "GREGOS VÃO APOIANDO /*/ E VÃO FICANDO CONTENTES *

* NÃO ENCONTRA O FADO PREFERIDO? /*/ ENVIE, POR FAVOR, O SEU PEDIDO * fadopoesia@gmail.com

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* NASCEU ASSIM... CRESCEU ASSIM... CHAMA-SE FADO // Vasco Graça Moura // Porto 03.01.1942 // Lisboa 27.04.2014 *

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Fado das iscas

José de Oliveira Cosme / Jaime Mendes
Versão do repertório de José Freire
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Criação do actor Álvaro Pereira na revista Coração Português. 
Teatro Variedades, 1928
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia no livro
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
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No tempo das patuscadas
Das guitarras e touradas / Das hortas, do carrascão
Eram as iscas o prato
De mais consumo e barato / Na vida dum cidadão

E ninguém se envergonhava
Toda a gente que passava / Entrava nessas vielas
A gente sentia-se bem
Sendo simples era um vintém / Trinta réis se eram com elas

Se ao longe vinha um parceiro
E o cheirinho lhes sentia
Até mesmo apetecia
Comê-las só p'lo cheiro
E a sua fama foi tal;
O povo então era vê-lo:
Travessa do Cotovelo
E Rua do Arsenal


Hoje tudo isso mudou
A taberninha acabou / Desapareceram os becos
Os cocheiros são chauferes
Vigaristas, soutneres / E os casqueiros, papo-secos

Se os meninos odaliscas
Comessem um prato d'iscas / Daquelas bem temperadas
Morriam de indigestão
Não bebendo um garrafão / D'água das Pedras Salgadas
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Versão Original

No tempo das patuscadas / Das guitarras e toiradas
Das hortas e carrascão
Eram as iscas o prato / De mais consumo e barato
Na vida dum cidadão.

E ninguém se envergonhava
Toda a gente que passava / Entrava nessas vielas.
Sentia-se a gente bem
Sendo simples, um vintém / Trinta réis se eram com elas!

Se ao longe vinha um parceiro
E o cheirinho lhes sentia
Até mesmo apetecia
Comê-las só pelo cheiro
A sua fama foi tal
Que o povo, então, era vê-lo
Travessa do Cotovelo
E Rua do Arsenal


Hoje tudo isso passou
A taberninha acabou / Desapareceram os becos,
Os cocheiros são “chauffeurs”
Vigaristas, “souteneurs” / E o “casqueiro”, “papo-secos”

Se os “meninos-odaliscas”
Comessem um prato de iscas / Daquelas bem temperadas
Morriam de indigestão
Não bebendo um garrafão / De água das “Pedras Salgadas”

Com a marcha do progresso
Chego a ter medo, confesso / Do que me reserva a sorte
Almoça-se no Japão 
Vai-se jantar a Milão / E cear ao Pólo Norte

Eu estou a ver os vizinhos / Do “Manel dos Passarinhos”
Aparvalhados, imóveis
Ao ver os mortos, coitados
Ao passarem despachados / Em “carretas-automóveis”



De novo o fado jocoso a animar os palcos da nossa revista, desta vez celebrando
o petisco que noutra letra de Lourenço Rodrigues (Ver pág. ????), no mesmo
espírito divertido e com o mesmo título, foi gravada por Hermínia Silva em 1957

Há ainda um Fadinho das Iscas, de Ary dos Santos e Martinho d’Assunção
gravado por Simone de Oliveira no seu único disco dedicado a fados.

A letra aqui apresentada foi gravada pelo seu criador, Álvaro Pereira e também
por José Freire.
Em ambos os casos, foi omissa a última estrofe, por motivos desconhecidos 
mas que devem prender-se com a extensão da peça
ou o gosto dos intérpretes.

Para as gerações mais novas, haverá a explicar que «com elas» significava com 
batatas a acompanhar; que souteneur é o termo francês para proxeneta; que
«casqueiro» era o termo de calão para o pão de um quilo; e «papo-seco» era
o pão mais pequeno, também chamado carcaça. 

De tudo isto, apenas se
mantêm o «com elas», não mais em relação às iscas, mas como opção
à ginjinha. E, ainda em pleno vigor, mantém-se a «água das Pedras» Salgadas.