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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre
PAULO FREIRE *filósofo* 19.09.1921 / 02.05.1997
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Tejo que levas as águas

Manuel da Fonseca / Adriano Correia de Oliveira
Repertório de Adriano Correia de Oliveira

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos / De roubos, fomes, terrores
Lava a cidade de quantos / Do ódio fingem amores

Leva nas águas as grades / De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade / Das bocas amordaçadas

Lava bancos e empresas / Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza / Arrecadam lucro inteiro

Lava palácios, vivendas / Casebres, bairros da lata
Leva negócios e rendas / Que a uns farta a outros mata

Lava avenidas de vícios / Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios / Cadeias e hospitais

Afoga empenhos, favores / Vãs glórias, ocas palmas
Leva o poder de uns senhores / Que compram corpos e almas

Das camas de amor comprado / Desata abraços de lodo
Rostos, corpos destroçados / Lava-os com sal e iodo