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Canal de J.F.Castro em parceria com a Rádio Mira

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6.270 LETRAS PUBLICADAS /*/ 2.078.500 VISITAS /*/ FEVEREIRO 2021

ATINGIDO ESTE VALOR /*/ QUE ME FAZ SENTIR HONRADO /*/ CONTINUO, COM AMOR /*/ A SER SERVIDOR DO FADO.

Pois mesmo desagradando // A "Troianos" maldizentes / Os "Gregos" vão apoiando // E vão ficando contentes

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Se não encontra a fado preferido // Envie, por favor, o seu pedido.

fadopoesia@gmail.com

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BARRA DE PESQUISA

Maria da Cruz

Amadeu do Vale / Frederico Valério 
Repertório de Amália 
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Criação de Amália na revista *Essa é que é essa* 
Teatro Maria Vitória 1945
Informação de Francisco Mendes e Daniel Gouveia 
Livro *Poetas Populares do Fado-Canção*
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Chamava-se ela Maria, de sobrenome da Cruz 
E na aldeia onde viva, sorria, vivia, na paz de Jesus 

Tinha um amor a quem ela seu coração entregara 
Junto ao altar da capela singela, onde ela paixão lhe jurara 

Mas certo dia veio a saber-se na aldeia 
Que o seu pastor lhe mentia 
Que esse amor se lhe extinguia como a luz duma candeia 

Desiludida no seu amor, a Maria deixou o lar, e perdida
Veio caír desfalecida num portal da Mouraria 

Sofreu a dôr da amargura, perdeu o viço e a côr 
E não voltou a ventura, ternura, a doçura do amor do pastor 

E hoje por cruz, a Maria que é da Cruz por seu fadário 
Arrasta na Mouraria a cruz da agonia, a cruz do calvário 

Ainda canta uma canção quase morta 
Mas um estrutor na garganta, oiço já, quando ela canta 
Ao passar à sua porta 

Não tarda o dia em que ela enfim, já vencida 
Terminará a agonia de arrastar na Mouraria 
Toda a cruz da sua vida


Se há forma poética para descrever as circunstâncias mais frequentes para a queda de uma mulher na prostituição, nos fins do séc. XIX e princípios do séc. XX em Lisboa, este fado é uma das mais conseguidas: a rapariga da província apanhada na situação de mãe solteira, escorraçada ou auto-escorraçada da sua aldeia pela vergonha, vem para a capital, na busca do anonimato e de uma forma de vida longe do seu ambiente original. A dificuldade em arranjar trabalho e alojamento, a fome do filho e a sua própria fazem o resto.
Data desta revista a parceria que Frederico Valério estabeleceu com vários letristas, tendo por destino a voz de Amália Rodrigues, donde viriam a brotar tantos êxitos e uma certa renovação nos procedimentos musicais do fado-canção.