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Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós ignoramos alguma coisa.
Paulo Freire *filósofo* 1921 <> 1997

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Fado dançado

Letra e música de Miguel Araújo Jorge
Repertório de Ana Moura 

Rodo a saia sempre que bem me apetece
Viro o disco se o antigo me aborrece
Bato c’o tamanco, mão na anca, e mexe
E diz que o fado não se dança, até parece

Saio desta roda se bem me apetece
Diz que o vira não mexe, ainda se aborrece
Manca que manca, mão na anca e mexe
Ai não que não dança, até parece

E se alguma lágrima me aparece
O tamanco manda, a cabeça obedece
São dois para lá para cá outro tanto
A ver se o pranto não estanca, até parece

Sempre que o meu fado nesse teu tropece
Desenrolo a teia que o destino tece
Viro a minha vida toda do avesso
A ver se o fado não se dança, até parece

A lua foi embora / Olha a aurora a despontar
Se o fado se canta e chora / Também se pode dançar

E se alguma voz se insurge na quermesse
Fado assim não sei o que é que me parece
Paro logo e digo alto e pára o baile
Até o xaile eu viro se me apetece

Sai da roda e roda a saia, sobe e desce
Vira o disco e diz que vira assim não mexe
Roda o xaile e baila enquanto o baile deixa
E vê se o fado não mexe, ai não não mexe

A culpa foi embora / Saudade bem pode esperar
Se o fado se canta e chora / Também se pode dançar